Investigação aponta uso de policiais militares em esquema de cobrança violenta de agiotagem no Tocantins
Grupo é acusado de praticar ameaças e terror psicológico contra vítimas em Palmas e Guaraí; quatro suspeitos foram presos na Operação Nêmesis.
Kenar Lima/Bastidores do Tocantins
A Polícia Civil do Tocantins investiga a atuação de policiais militares e um servidor público em um esquema de cobrança de dívidas de agiotagem marcado por ameaças e intimidação. O caso foi revelado durante a Operação Nêmesis, que resultou na prisão dos suspeitos e no afastamento de agentes públicos envolvidos.
As investigações, conduzidas pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic), apontam que o grupo atuava como um “braço armado” para forçar o pagamento de dívidas com juros abusivos em Palmas e Guaraí.
Segundo a Polícia Civil, o esquema seria liderado por um agiota, que contava com o apoio de dois policiais militares e um servidor do sistema penal para realizar as cobranças. Os quatro investigados passaram por audiência de custódia e permanecem presos.
Ameaças e intimidação
De acordo com o relatório policial, os investigados utilizavam armas de fogo para intimidar as vítimas. Em um dos episódios, registrado em fevereiro deste ano, um policial militar teria exibido a arma na cintura durante abordagem a uma família, enquanto fazia ameaças e insultos.
As investigações indicam que o grupo promovia um ambiente de medo constante, com menções a supostos cobradores externos e perseguições frequentes. Uma das vítimas, uma idosa de 65 anos, teria entrado em estado de pânico após as abordagens.
Dívida crescente e fuga da família
A Polícia Civil aponta que as vítimas contraíram empréstimos que se tornaram impagáveis ao longo do tempo. Durante cerca de dois anos, uma família pagou aproximadamente R$ 4 mil mensais apenas em juros, sem conseguir quitar a dívida.
Mesmo após a venda de um comércio em Guaraí para tentar saldar o débito, as cobranças continuaram em Palmas. Diante das ameaças, a família fechou o novo estabelecimento e deixou a capital, mudando-se para local não informado por questões de segurança.
Medidas adotadas pelos órgãos públicos
A Polícia Militar informou que os agentes citados foram afastados imediatamente de suas funções, tiveram o armamento recolhido e passaram a responder a procedimentos administrativos internos. A corporação afirmou adotar política de “tolerância zero” contra desvios de conduta.
Já a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) comunicou que solicitou a rescisão do contrato do servidor envolvido, que atuava de forma temporária no sistema prisional.
As investigações continuam para apurar a extensão do esquema e possíveis outros envolvidos.



