Prisão de secretária de Saúde de Palmas foi motivada por suspeita de interferência em investigação sobre contrato de R$ 139 milhões das UPAs
Justiça apontou tentativa de monitoramento de testemunhas e risco à apuração de supostas fraudes na terceirização das unidades de pronto atendimento.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A prisão preventiva da secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, foi decretada pela Justiça sob a justificativa de garantir a regularidade das investigações que apuram supostas fraudes no processo de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da Capital. A decisão foi cumprida pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira, 10, durante operação que também resultou na prisão do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa.
A investigação apura possíveis crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao contrato de R$ 139,1 milhões firmado para a gestão das unidades.
A decisão foi proferida pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas e aponta que a secretária teria utilizado sua posição hierárquica para manter contato com servidores subordinados após o início das investigações, em uma suposta tentativa de monitorar e direcionar depoimentos que seriam prestados à Polícia Civil.
Segundo a decisão judicial, mensagens eletrônicas analisadas durante a investigação indicariam movimentações voltadas à interferência na produção de provas. Também foi citado um relatório de vigilância policial apontando que um advogado ligado à secretária permaneceu nas proximidades da delegacia para abordar servidores convocados a prestar esclarecimentos.
Outro elemento destacado pela Justiça foi a existência de possível falsidade ideológica relacionada a um documento de dispensa de chamamento público assinado pela secretária, que, segundo os investigadores, não teria sido localizado nos sistemas oficiais da Secretaria Municipal de Saúde.
Superintendente também foi preso
O superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, também teve a prisão preventiva decretada. De acordo com a investigação, ele teria elaborado minutas de pareceres técnicos que posteriormente eram encaminhadas para assinatura de outros servidores sem discussão prévia dentro da comissão responsável.
A decisão também menciona que Andreis utilizava uma BMW X1 alugada por Cláudia Fernanda Cândido da Silva, investigada e apontada como intermediadora do contrato firmado com a entidade responsável pela gestão das UPAs.
Segundo a Polícia Civil, o contrato de locação do veículo teria sido firmado um dia antes da formalização da dispensa de licitação que resultou na contratação da organização social.
Empresária é considerada foragida
A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva também teve a prisão preventiva decretada, mas não foi localizada durante a operação. Conforme a investigação, ela é apontada como peça-chave na articulação do contrato e já responde a outras investigações relacionadas a supostas irregularidades em contratos públicos.

A Justiça considerou que existe risco de continuidade das práticas investigadas, uma vez que o contrato permanece em execução, com repasses mensais estimados em R$ 11,6 milhões.
Prefeitura acompanha o caso
Por meio de nota, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha os desdobramentos da operação e aguarda acesso aos autos para se manifestar oficialmente.
O município também destacou que os serviços prestados pelas Unidades de Pronto Atendimento Norte e Sul seguem funcionando normalmente e que não haverá prejuízos à população.
Os investigados foram encaminhados para o Batalhão do Comando Geral da Polícia Militar, onde permanecem à disposição da Justiça até a realização da audiência de custódia.



