Polícia Civil realiza operação contra grupo suspeito de se passar por policiais para executar rival em Palmas
Investigação aponta que homicídio foi motivado por disputa entre facções criminosas; operação cumpriu mandados de prisão e busca nesta terça-feira, 26.
Kenar Lima/Bastidores do Tocantins
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (1ª DHPP – Palmas), deflagrou na manhã desta terça-feira, 26, a Operação Fronteira Vermelha, contra investigados por participação no homicídio de Fernando Ramos de Jesus Vieira, conhecido como “Careca”, executado a tiros no dia 30 de março deste ano, em Palmas.
A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão. Durante a ação, foram localizados os investigados identificados pelas iniciais M.R.N., de 33 anos; W.G.F., de 19 anos; F.R.B., de 29 anos; e G.P.C., de 25 anos. O quinto suspeito segue foragido.

Além das prisões preventivas, a Polícia Civil registrou prisões em flagrante durante a operação. Um dos investigados foi encontrado com arma de fogo e drogas. Outro tentou destruir o aparelho celular no momento da chegada das equipes policiais e responderá também por embaraço à investigação relacionada à organização criminosa.
Segundo a Polícia Civil, este é o primeiro homicídio relacionado a conflito entre facções criminosas registrado em Palmas após a entrada em vigor da Lei 15.358/2026, conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado ou “Lei Antifacção”, que endureceu as penas para crimes dessa natureza.

A Operação Fronteira Vermelha integra o programa nacional Brasil Contra o Crime Organizado, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Crime ocorreu dentro da residência da vítima
Conforme as investigações, o homicídio ocorreu na residência da vítima, localizada no setor Lago Norte, em Palmas.
Os suspeitos chegaram ao imóvel em duas motocicletas e se identificaram falsamente como policiais antes de perguntarem pela vítima. Enquanto parte do grupo permaneceu na área externa da casa, dois dos autores entraram no quarto onde Fernando Ramos estava e efetuaram diversos disparos de arma de fogo.
O laudo pericial apontou que a vítima foi atingida por 18 tiros em diferentes partes do corpo, morrendo em decorrência de choque hemorrágico. No local, a perícia recolheu cápsulas de munições dos calibres .380 e .40.
Disputa entre facções
De acordo com a apuração da 1ª DHPP, o homicídio teria sido motivado por disputa entre organizações criminosas rivais. A vítima possuía ligação com uma facção adversária e residia em uma área dominada pelo grupo ao qual os investigados são associados.
As investigações também permitiram reconstruir a movimentação do grupo antes e depois da execução. Conforme a Polícia Civil, os suspeitos teriam se reunido previamente em um apartamento de um residencial popular, onde planejaram a ação criminosa antes de seguirem para o local do crime.
O delegado Guilherme Coutinho Torres, responsável pelas investigações, destacou a gravidade do caso e a importância da atuação rápida das forças de segurança.
“Trata-se de uma ação extremamente violenta, praticada com planejamento, divisão de tarefas e uso indevido da falsa identidade policial para facilitar a execução da vítima. A identificação e prisão dos envolvidos representam um passo fundamental para a responsabilização criminal dos autores e para a contenção de conflitos relacionados à atuação de organizações criminosas”, afirmou.
As investigações continuam para aprofundar a análise da dinâmica do crime e localizar o suspeito que permanece foragido.



