Arraia-maçã rara chama atenção de banhistas na Praia do Murici, em Xambioá
Espécie típica da bacia Araguaia-Tocantins foi registrada próxima à margem do rio Araguaia e reforça a importância da preservação da fauna aquática da região
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Uma arraia-maçã chamou a atenção de banhistas na Praia do Murici, em Xambioá, no extremo norte do Tocantins, após ser avistada nadando próximo à margem do rio Araguaia no último domingo (21). O registro, compartilhado nas redes sociais, rapidamente ganhou repercussão, acumulando mais de 18 mil curtidas e cerca de 6 mil compartilhamentos.
Nas imagens, o animal impressiona pelo tamanho e pela proximidade com os frequentadores da praia. Durante a gravação, a autora do vídeo alerta os banhistas para que mantenham distância e redobrem os cuidados.
Segundo a bióloga Beatriz Vasconcelos, o animal pertence ao gênero Paratrygon, da espécie Paratrygon araguaia, popularmente conhecida como arraia-maçã. A espécie é considerada uma descoberta recente da ciência e ocorre exclusivamente na bacia Araguaia-Tocantins.
“Provavelmente, o animal estava se alimentando. As arraias-maçã são piscívoras, alimentando-se principalmente de peixes, mas também podem consumir crustáceos e insetos aquáticos”, explica a especialista.
A arraia-maçã possui corpo em formato de disco, focinho arredondado e pode atingir até 80 centímetros de diâmetro, além de ultrapassar os 60 quilos. Apesar da aparência tranquila, o animal possui um ferrão serrilhado na cauda, utilizado exclusivamente como mecanismo de defesa.
De acordo com a bióloga, a população da espécie enfrenta ameaças relacionadas à pesca predatória e à construção de barramentos nos rios, fatores que contribuem para o risco de extinção.
Para evitar acidentes, a orientação é que banhistas arrastem os pés ao caminhar em áreas rasas, já que as arraias costumam permanecer parcialmente enterradas na areia ou na lama para se camuflar. Ao serem pisadas, podem reagir de forma defensiva.
Outra recomendação importante é não tentar retirar o ferrão dos animais. “O ideal é não arrancá-lo, pois isso causa dor e ferimentos à arraia, além de comprometer seu principal mecanismo de defesa na natureza”, reforça Beatriz Vasconcelos.
O registro reforça a riqueza da biodiversidade presente na região do Araguaia e destaca a importância da convivência responsável entre a população e as espécies nativas dos rios tocantinenses.



