Aparição de sucuris cresce em Augustinópolis e especialistas explicam fenômeno
Cidade do norte do Tocantins já registrou 11 resgates em 2026; período chuvoso e reprodução estão entre os fatores.
Kenar Lima/Bastidores do Tocantins
Moradores de Augustinópolis têm convivido com um aumento no número de aparições de sucuris em áreas urbanas. Somente em 2026, pelo menos 11 animais já foram resgatados na cidade, além de uma jiboia e três jacarés, segundo a equipe de bombeiros civis da região (CANUC-TO).
O caso mais recente foi registrado na última quarta-feira (22), quando uma sucuri de aproximadamente 2,2 metros foi encontrada em área urbana. O animal foi capturado durante a noite e devolvido à natureza, em uma região de mata com presença de água, distante cerca de 5 a 7 quilômetros da cidade. Ninguém ficou ferido.
De acordo com os responsáveis pelo resgate, a orientação à população é evitar qualquer tentativa de aproximação ou captura dos animais. A recomendação é acionar equipes especializadas sempre que houver avistamento.
Período chuvoso favorece aparições
Especialistas explicam que o aumento na presença das sucuris está diretamente ligado ao período chuvoso e às condições ambientais da região. Com o aumento do volume dos rios e áreas alagadas, esses animais — que possuem hábitos semi-aquáticos — ampliam seu território em busca de abrigo, alimento e reprodução.
Segundo o biólogo Lucas Elias Oliveira Borges, a presença das cobras em áreas urbanas não deve ser vista como invasão, mas como consequência natural das mudanças no ambiente. Ele destaca que, em períodos quentes e úmidos, as sucuris podem percorrer grandes distâncias.
Apesar da frequência dos registros, o especialista ressalta que esses animais não costumam permanecer por muito tempo em áreas urbanizadas.
Importância ecológica e baixo risco
As sucuris desempenham papel importante no equilíbrio ambiental, ajudando no controle de populações de outros animais, como roedores, aves e pequenos mamíferos. A presença da espécie, inclusive, pode indicar boa qualidade ambiental.
Embora chamem atenção pelo tamanho, as sucuris não são peçonhentas e raramente atacam humanos. O risco aumenta apenas em situações em que o animal se sente ameaçado, sendo recomendado cuidado redobrado em áreas próximas a córregos, lagoas e regiões alagadas, especialmente com crianças e animais domésticos.
Mesmo após o resgate e soltura, há possibilidade de novos aparecimentos, caso o ambiente continue favorável. Por isso, a orientação das autoridades é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais, como o Naturatins.



