STF nega liberdade provisória a influenciadora Karol Digital e ao namorado presos por suspeita de jogos ilegais
Decisão da ministra Cármen Lúcia mantém prisão de Maria Karollyny Campos Ferreira e Dhemerson Rezende, investigados por esquema de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro no Tocantins.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital, e seu namorado, Dhemerson Rezende Costa, tiveram o pedido de liberdade provisória negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O casal está preso desde agosto de 2025, investigado por envolvimento em um suposto esquema de exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
A decisão, datada de 11 de novembro de 2025, é da ministra Cármen Lúcia, relatora do processo. No despacho, a magistrada afirmou que não houve violação ao direito de defesa dos acusados, contrariando o argumento da defesa de que não teria tido acesso integral ao processo.
“Não se demonstra contrariedade à Súmula Vinculante n. 14 do Supremo Tribunal Federal. As autoridades reclamadas demonstraram ter sido franqueado o acesso do inquérito policial e da ação penal à defesa dos reclamantes”, escreveu a ministra.
O casal foi preso durante a Operação FRAUS, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins em 22 de agosto de 2025. De acordo com as investigações, Karol Digital utilizava suas redes sociais, onde acumula mais de 1,5 milhão de seguidores, para divulgar plataformas de apostas ilegais, afirmando falsamente que não possuía contratos com as empresas. Conversas encontradas pelos investigadores indicam que ela teria cobrado R$ 30 mil por uma única publicação de divulgação.
Além de Karol e Dhemerson, a mãe da influenciadora e um consultor financeiro foram denunciados pelo Ministério Público do Tocantins em setembro de 2025. A Justiça aceitou a denúncia, e todos se tornaram réus no processo.
Durante a operação, foram apreendidos sete veículos registrados em nome da influenciadora, avaliados em aproximadamente R$ 5,5 milhões. Entre eles estão um Porsche de R$ 979 mil, uma RAM 3500 de R$ 475 mil e uma McLaren Artura de R$ 3,1 milhões. A Justiça também determinou a apreensão de sete imóveis, sendo seis em Araguaína e um em Babaçulândia — incluindo a mansão conhecida como “Mansão da Digital”, onde Karol realizou um reality show com 27 participantes em agosto de 2025.
Outra propriedade confiscada foi uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões, localizada em Palmeirante, que contava com 248 bovinos e cavalos de raça.
As investigações apontaram movimentações financeiras superiores a R$ 217 milhões entre janeiro de 2019 e outubro de 2024, distribuídas em 30 contas bancárias de 13 instituições financeiras. A quebra de sigilo bancário revelou ainda depósitos de plataformas ilegais diretamente nas contas pessoais da influenciadora, somando R$ 37,2 milhões.
Até o momento da publicação deste release, a defesa de Karol Digital e Dhemerson Rezende não havia se manifestado sobre a decisão do STF.



