Mulheres do Jalapão transformam a castanha de baru em fonte de renda e fortalecem a economia do Cerrado
Associação de Ponte Alta do Tocantins reúne 35 agroextrativistas que beneficiam o fruto nativo e produzem alimentos destinados à merenda escolar e ao mercado institucional
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A castanha de baru, fruto nativo do Cerrado eingrediente tradicional da culinária tocantinense, tem se consolidado como importante fonte derenda para 35 mulheres de assentamentos ruraisde Ponte Alta do Tocantins, na região leste doestado. Reunidas na Associação Mulheres Unidasdo Jalapão, elas atuam de forma coletiva na coleta, beneficiamento e produção de alimentos à basedo baru, agregando valor a um dos produtos do extrativismo que mais cresce no Tocantins.
A safra do baru ocorre entre julho e outubro, período em que os frutos amadurecem e caem naturalmente das árvores. A coleta exige atenção e paciência, já que apenas os frutos encontrados no chão podem ser aproveitados. Um dos principais sinais de que o baru está pronto para o consumoé o som característico, semelhante ao de umapedra batendo, percebido ao chacoalhar o fruto.
“A gente vem bem cedo ou, então, de tarde, quandoo sol está frio, porque os pés ficam longe. Pegasó o que está no chão. Às vezes, o gado come apolpa e sobra a castanha, que fica mais leve para carregar”, relata a agroextrativista Francisca Rezende.
Após a coleta, toda a produção é levada para a agroindústria da associação, onde as mulheresrealizam todas as etapas do beneficiamento, desde a abertura das castanhas até a torra, trituração e transformação da matéria-prima em novos produtos.
Entre os alimentos produzidos estão farinha de baru, utilizada na preparação de bolos, pães, biscoitos, paçocas, brigadeiros e até pratos salgados, como risotos. A inovação mais recente do grupo é o sorvete de baru com macaúba, desenvolvido para ampliar as possibilidades de consumo do fruto.
Atualmente, a Associação Mulheres Unidas doJalapão produz cerca de 800 quilos de alimentos, comercializados para instituições públicas e destinados à alimentação escolar. Segundo a vice-presidente da entidade, Raquel Pinheiro, ainiciativa nasceu de um projeto não governamentale foi fortalecida pelo trabalho coletivo e pelo apoio da comunidade.
“A gente começou com um projeto não governamental e com a força do nosso trabalho, dos companheiros, vizinhos e amigos que sempre ajudaram”, destaca.
Superalimento do Cerrado
Além do potencial econômico, a castanha de baru é reconhecida pelo alto valor nutricional. Considerada um superalimento, ela é rica emproteínas, fibras, gorduras boas e antioxidantes, contribuindo para uma alimentação saudável.
A cada 100 gramas de castanha de baru torrada, o alimento oferece aproximadamente 25 gramas de proteína, 14 gramas de fibras, 38 gramas de gorduras insaturadas e cerca de 500 calorias, tornando-se uma alternativa nutritiva e versátilpara diversas preparações culinárias.




