Porsche de R$ 372 mil apreendido pela Justiça some após vendas irregulares e volta para antigo dono
Veículo estava sob responsabilidade de fiel depositária e seria levado a leilão; investigação aponta repasses informais, uso de documentos falsos e tentativa de ocultação do bem.
Kenar Lima/Bastidores do Tocantins
Um Porsche Macan S avaliado em R$ 372 mil, apreendido pela Justiça Federal no Tocantins, saiu do controle judicial após uma sequência de negociações consideradas irregulares e acabou retornando ao antigo proprietário, investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em desvio de recursos do auxílio emergencial.
O desaparecimento do veículo foi identificado quando a Justiça preparava a realização de um leilão antecipado do bem.
O Porsche não estava em um pátio oficial. O automóvel permanecia sob responsabilidade de uma fiel depositária, pessoa designada judicialmente para guardar e conservar o bem apreendido, sem autorização para vendê-lo ou transferi-lo.
Apesar disso, as investigações indicam que o veículo teria passado por diferentes compradores no mercado informal.
Justiça aponta sequência de negociações
De acordo com informações da 4ª Vara Federal Criminal de Palmas, o automóvel teria sido utilizado inicialmente para quitar dívidas particulares e entregue a um comerciante de veículos.
Posteriormente, um intermediário teria retirado o Porsche em Atibaia, no interior de São Paulo, sob a justificativa de que faria a entrega do automóvel à Justiça.
A investigação aponta, porém, que isso não aconteceu. O veículo teria sido negociado novamente e retornado ao antigo proprietário.
Segundo a apuração, documentos contendo informações falsas teriam sido utilizados nessa transação.
Depois de recuperar a posse do automóvel, o investigado ainda teria realizado uma nova venda para outro comprador, movimento que, conforme a investigação, teria dificultado a localização do patrimônio pelas autoridades.
Porsche havia sido apreendido em operação da PF
O veículo foi apreendido pela Polícia Federal em 2022, durante a Operação Scelerum Fructus.
A investigação apurava a atuação de um grupo suspeito de desviar mais de R$ 1,2 milhão em recursos do auxílio emergencial, benefício criado durante a pandemia.
Segundo a investigação, parte dos valores obtidos de forma irregular teria sido utilizada na aquisição de imóveis e veículos de luxo.
Como automóveis podem sofrer desvalorização durante o andamento dos processos judiciais, a Justiça determinou a alienação antecipada do Porsche. Foi durante os procedimentos para realização do leilão que a ausência do carro foi constatada.
PF cumpriu buscas em três cidades
Na tentativa de localizar o Porsche e esclarecer o caminho percorrido pelo veículo, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiânia e Senador Canedo, em Goiás, e Atibaia, em São Paulo.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de R$ 372 mil nas contas de três investigados, valor equivalente ao atribuído ao automóvel.
O caso é investigado sob suspeitas de fraude processual e lavagem de dinheiro.
Prisões foram negadas
Também houve pedido de prisão preventiva de investigados no caso. A Justiça, entretanto, negou a medida por entender que, naquele momento, não estavam presentes os requisitos legais necessários para determinar as prisões.
A negativa da prisão não encerra as investigações nem representa absolvição dos envolvidos.
As apurações continuam sob sigilo, enquanto as autoridades tentam localizar e recuperar o veículo e esclarecer a responsabilidade de cada pessoa envolvida nas negociações.



