Tocantins inicia projeto para rastreamento individual de gado e deve tornar sistema obrigatório a partir de 2027
Tecnologia permitirá acompanhar histórico dos animais do nascimento ao abate, ampliando controle sanitário e acesso a mercados.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
O Tocantins deu início à fase piloto de um projeto que promete transformar a forma de monitoramento do rebanho bovino no estado. A iniciativa, coordenada pela Adapec em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária, prevê a rastreabilidade individual dos animais desde o nascimento até o abate.
Nesta etapa inicial, propriedades selecionadas participam dos testes para validar o modelo antes da expansão. A proposta integra um plano nacional com previsão de implementação entre 2025 e 2032 e deve se tornar obrigatória a partir de 2027.
Atualmente, o Tocantins abate mais de 1,4 milhão de bovinos por ano e produz cerca de 380 mil toneladas de carne, sendo parte significativa destinada à exportação. O novo sistema busca reforçar o controle sanitário e atender às exigências de mercados internacionais cada vez mais rigorosos.
Como vai funcionar
O sistema permitirá acompanhar todo o histórico de cada animal, desde a fazenda de origem até o consumidor final. Segundo o diretor de defesa, inspeção e sanidade animal da Adapec, Márcio Rezende, a proposta é garantir total rastreabilidade da carne.
“A rastreabilidade consiste em poder fazer o caminho daquele produto que está no mercado até a propriedade onde o animal nasceu”, explicou.
Cada bovino receberá uma identificação individual, substituindo o modelo atual baseado em lotes. A identificação será feita por meio de um conjunto de dispositivos instalados na orelha do animal, incluindo brinco, bandeira visual e um botão eletrônico para leitura de dados.
Impactos para o setor
Com a nova tecnologia, produtores terão acesso a informações mais precisas sobre o desempenho dos animais, como ganho de peso, reprodução e histórico sanitário. A medida também fortalece a segurança alimentar e facilita o controle de doenças.
Para os consumidores, o sistema representa mais transparência sobre a origem da carne. Já para o setor produtivo, amplia a competitividade no mercado internacional, especialmente após o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação.
Implantação gradual
Inicialmente voluntário, o sistema deve se tornar obrigatório a partir de 2027, começando pela identificação de bezerras em idade de vacinação contra a brucelose. No Tocantins, a proposta é ampliar gradualmente a exigência também para machos.
A expectativa é que, em até cinco anos, entre 80% e 90% do rebanho estadual esteja integrado ao sistema de rastreamento.



