Influenciadora Karol Digital é presa por suspeita de promover jogos de azar e causar prejuízos milionários a seguidores
Durante a Operação FRAUS, a Polícia Civil identificou vítimas que perderam economias em apostas promovidas pela influenciadora; movimentações financeiras ultrapassam R$ 217 milhões.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A influenciadora digital Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital, foi presa preventivamente no dia 22 de agosto deste ano, durante operação deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins. Ela é suspeita de envolvimento com jogos de azar ilegais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. O namorado dela, Dhemerson Rezende Costa, também foi preso.
A operação, batizada de FRAUS, revelou que a influenciadora usava suas redes sociais — onde possui mais de 1,5 milhão de seguidores — para divulgar casas de apostas e vender mentorias com promessas de ganhos financeiros. No entanto, as investigações apontam que dezenas de seguidores tiveram grandes prejuízos após seguir as orientações da influenciadora.
Segundo o inquérito policial, foram localizadas diversas mensagens de vítimas relatando perdas financeiras e pedindo ajuda a Karol. Em um dos casos, uma mulher afirma ter perdido R$ 17 mil guardados ao longo de anos. “Comprei sua mentoria, mas os jogos não deram certo. Perdi o dinheiro que vinha juntando para comprar uma moto. Agora estou sem nada”, relatou a vítima.
Outro seguidor declarou ter perdido cerca de R$ 10 mil, relatando estar desempregado, com o casamento ameaçado e em estado de desespero. “Entrei no desespero de tentar acreditar que era verdade. Estou no limite, perdi quase tudo”, escreveu.
A polícia apurou que Karol continuava promovendo plataformas ilegais até maio de 2025, mesmo após alertas das autoridades. A Justiça autorizou 23 mandados de busca e apreensão, cumpridos em diversos endereços ligados à influenciadora, com apoio de 40 policiais civis. As investigações também indicam que Karol publicava supostos ganhos financeiros usando imagens de plataformas diferentes daquelas que ela promovia aos seguidores.
Os relatórios apontam que a influenciadora e seus associados movimentaram mais de R$ 217 milhões entre janeiro de 2019 e outubro de 2024. Além disso, operavam 30 contas bancárias em 13 instituições financeiras. Parte dos valores era recebida diretamente de plataformas ilegais ou empresas intermediadoras com histórico de fraudes.
Para o Ministério Público, há indícios de que a influenciadora enganava os seguidores com falsas promessas de lucros fáceis. “O que temos é uma promoção fraudulenta de jogos de azar, com uso de mentoria e técnicas para ludibriar vítimas”, afirmou a promotora de Justiça Jeniffer Medrado.
A defesa de Karol Digital nega qualquer envolvimento da influenciadora ou de seu companheiro com atividades ilegais. Em nota, os advogados afirmaram ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal, alegando que o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) utilizado nas investigações foi obtido sem autorização judicial, o que, segundo a defesa, configura ilegalidade. Além disso, apontam que a prisão é desumana, pois Karol teria passado por procedimento cirúrgico na véspera da detenção.
“Confia-se no Poder Judiciário para coibir abusos e preservar os direitos fundamentais, principalmente diante de uma prisão considerada desnecessária e baseada em imputações que, se comprovadas, configurariam apenas contravenções penais”, diz o comunicado da defesa.
As investigações seguem em andamento.



