Eleições 2026

Com caixa de som na mão, Jerfeson transforma a rua em palanque no Tocantins

Candidato do PT aposta em redes sociais, contato direto com eleitores e uma campanha de baixo custo para defender cultura, periferia e representação racial PALMAS

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins

Uma caixa de som, um microfone e a disposição para conversar com quem estiver por perto. É com essa estrutura que Jerfeson Nascimento, candidato a deputado estadual pelo PT, vem levando sua candidatura para diferentes espaços de Palmas.

Feiras, praças, ruas, locais de circulação e aglomerações passaram a fazer parte da estratégia. A proposta é simples: chegar onde as pessoas estão, apresentar suas ideias e ouvir o eleitor.

A escolha pelo formato tem relação com a trajetória profissional de Jerfeson, que trabalha com comunicação, audiovisual e marketing político, além de já ter assessorado outros políticos.

“Eu sempre trabalhei com comunicação, com audiovisual e com marketing político. Então, para mim, usar as redes sociais é uma forma natural de fazer política”, afirma.

Mas existe também uma escolha política.

Jerfeson diz que não dispõe dos recursos financeiros utilizados nas campanhas tradicionais e que não pretende reproduzir esse modelo.

“Eu não acredito em campanha baseada em derramamento de dinheiro, aluguel de dezenas de carros, contratação de gente só para carregar bandeira ou qualquer prática que transforme dinheiro em voto.”

Para ele, a simplicidade não é uma limitação a ser escondida, mas parte da maneira como decidiu disputar a eleição.

“Eu acredito que política tem que ser feita com ideia, com presença e com conversa com as pessoas.”

Uma candidatura a partir da periferia

Morador da região Norte de Palmas, Jerfeson constrói sua candidatura em torno da cultura, da periferia e da ampliação de oportunidades para quem, segundo ele, permanece distante dos espaços de decisão.

Cientista político, com pós-graduação em Direito Eleitoral e formação em Cidades Inteligentes, também tem trajetória ligada à comunicação, ao audiovisual e à gestão cultural.

A proposta é levar para a Assembleia Legislativa temas como acesso à cultura, oportunidades de trabalho e melhoria das condições de vida nas regiões periféricas.

A questão racial é outro eixo da candidatura.

Autodeclarado preto, Jerfeson se apresenta como candidato a ser, caso eleito e confirmada a ausência de um antecessor homem com a mesma autodeclaração, o primeiro homem autodeclarado preto a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Tocantins.

O recorte é específico: a candidatura reivindica uma representação masculina preta na Casa.

Da timidez ao microfone

A exposição pública também representa uma mudança pessoal.

Jerfeson conta que sempre foi tímido, mas que a decisão de disputar a eleição mudou sua relação com a exposição.

A vontade de ser eleito, segundo ele, acabou superando a timidez.

Hoje, o candidato aparece nas redes sociais falando ao microfone, caminhando por espaços públicos e conversando diretamente com as pessoas.

O conteúdo é produzido de maneira simples, muitas vezes no próprio local onde a abordagem acontece.

Os registros presenciais também alimentam suas redes. O perfil de Jerfeson apresenta 173,6 mil visualizações nos últimos 30 dias, segundo os dados exibidos pela própria plataforma.

Uma campanha fora do modelo tradicional

A utilização de caixas de som e o contato direto com o eleitor não são novidades na política. O diferencial está em transformar esses elementos em uma identidade de campanha associada à comunicação digital e a uma candidatura de poucos recursos.

Jerfeson não esconde a estrutura enxuta.

“Eu não tenho vergonha de fazer uma campanha simples. Pelo contrário. Isso faz parte da política que eu acredito e defendo.”

A crítica ao modelo tradicional é acompanhada por uma defesa de outra forma de disputar votos.

“Se eu quero representar a periferia, a cultura e as pessoas que muitas vezes não têm oportunidade, não faria sentido começar uma campanha reproduzindo justamente o modelo de política que eu quero mudar.”

Para ele, o voto deve ser resultado da relação construída com o eleitor.

“Eu quero que o voto seja conquistado pela ideia, pela confiança e pela vontade de mudar.”

A caixa de som, nesse contexto, deixa de ser apenas um equipamento. É o instrumento escolhido por um candidato que pretende fazer da rua seu principal ponto de contato com o eleitor e levar essa voz para dentro da Assembleia.

Bastidores do Tocantins

Bastidores do Tocantins é um Blog de seres, fazeres e dizeres do estado de Tocantins.

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