Justiça

AGU pede ao STF suspensão imediata do afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal

Órgão sustenta que decisão de André Mendonça interfere em prerrogativa do presidente da República e pode causar desorganização institucional na PF.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a suspensão imediata da decisão que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

O afastamento foi determinado em caráter liminar pelo ministro André Mendonça, que também retirou Leandro Almada da Diretoria de Inteligência da PF. A decisão atendeu a um pedido apresentado pelo partido Novo.

No recurso encaminhado ao presidente do STF, a AGU argumenta que a medida interfere em uma prerrogativa constitucional do presidente da República relacionada à nomeação e à exoneração de cargos de direção da Polícia Federal.

Segundo o órgão, a retirada repentina do diretor-geral também pode afetar o funcionamento da instituição.

“A saída abrupta do diretor-geral da PF compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional”, sustentou a AGU.

AGU pede retorno de dois dirigentes

Além da volta de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, a Advocacia-Geral da União também solicita o retorno de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência.

A AGU argumenta ainda que a decisão de André Mendonça ocorreu depois de Fachin assumir a análise do conjunto de fatos relacionados à produção e divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal.

Para o órgão, esse contexto deveria ser considerado antes da adoção de novas medidas cautelares sobre o caso.

Fachin havia assumido análise de relatórios

No dia 3 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes utilizou um relatório da Polícia Federal como fundamento para incluir André Mendonça no inquérito das Fake News.

Segundo o documento, Mendonça teria praticado condutas que poderiam se enquadrar, em tese, em improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Posteriormente, Fachin determinou que todo o material que mencionasse André Mendonça no inquérito relatado por Moraes fosse encaminhado a ele.

O presidente do STF também concedeu prazo de cinco dias para manifestação de Mendonça.

AGU questiona decisão individual

Na avaliação da Advocacia-Geral da União, a decisão posterior de afastamento teria antecipado medidas cautelares enquanto ainda estava em andamento o procedimento conduzido por Fachin.

“Esse procedimento delimitou pontos de investigação e concedeu prazo de cinco dias úteis para manifestação de autoridades, inclusive dos diretores da PF afastados. Para a União, a decisão monocrática concorrente antecipou juízos cautelares e submeteu ao referendo da Segunda Turma do STF matéria indicada pelo próprio ministro-relator como de competência do Plenário”, informou a AGU.

Caso envolve relatórios da Operação Compliance Zero

O episódio também está relacionado a relatórios produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

Na semana passada, André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da investigação que continham mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

O material incluía referências ao ministro Alexandre de Moraes e havia sido reunido em relatório elaborado a pedido de Mendonça.

Agora, caberá ao STF analisar o pedido da AGU para decidir se os afastamentos de Andrei Rodrigues e Leandro Almada serão mantidos ou suspensos.

Bastidores do Tocantins

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