Meio Ambiente

Jovem pesca surubim-cachara de 85 centímetros em lago de Araguaçu e se surpreende: “Achei que era um jacaré”

Peixe foi fisgado em lago localizado na área urbana do município, no sul do Tocantins; exemplar foi devolvido à natureza após registro.

Kenar Lima/Bastidores do Tocantins 

Uma pescaria noturna terminou em surpresa para o jovem Wallyk Nathan Sales, de 26 anos, em Araguaçu, na região sul do Tocantins. Ele fisgou um surubim-cachara de 85 centímetros em um lago localizado na área urbana da cidade e, pela força do peixe, chegou a imaginar que estivesse enfrentando um jacaré.

A captura ocorreu na noite de segunda-feira, 10, por volta das 23h. O momento chamou atenção nas redes sociais após a publicação de um vídeo em que o pescador esportivo Ítalo Rodrigo ajuda a medir o exemplar.

Segundo Wallyk, ele vinha frequentando o local havia cerca de quatro meses na tentativa de encontrar um animal de grande porte que havia perdido durante uma pescaria anterior.

“Uma certa noite eu perdi algo grande lá. Só que, no meu pensamento, seria um jacaré ou um tracajá muito grande. Fui indo com mais frequência durante esses quatro meses, visando pegar algo grande. Segunda, eu fui sozinho e fisguei esse surubim. Na hora achei que era um jacaré porque estava brigando muito. Foi uns 40 segundos de briga”, contou.

Ajuda de amigo foi necessária

Ao perceber que havia fisgado um peixe grande, Wallyk ainda enfrentou outro desafio: os equipamentos necessários estavam dentro do carro.

Surubim-cachara pescado em Araguaçu — Foto: Ítalo Rodrigo/Arquivo pessoal;

“Fiquei mais desesperado porque não sabia como ia segurar ele e buscar meus equipamentos ao mesmo tempo. Foi quando liguei para meu amigo Ítalo pedindo ajuda”, relatou.

Ítalo foi até o lago e auxiliou na retirada e medição do peixe. Segundo ele, esse teria sido o primeiro exemplar de surubim-cachara fisgado no local.

Presença do peixe no lago surpreende pescadores

Ítalo explicou que a presença da espécie chamou atenção porque o surubim é associado a ambientes de rio.

Segundo ele, o lago fica no centro de Araguaçu e foi formado pelo córrego Matinha, que deságua no rio Piau, localizado a cerca de 12 a 13 quilômetros da área.

“Aquela espécie é de rio, a gente não sabe como chegou no lago, porque o rio Piau é uns 12 a 13 quilômetros abaixo do lago. Então, ou ele subiu pequeno para o lago e cresceu, ou alguém soltou, não sei”, explicou.

De acordo com o pescador, durante os períodos de cheia há maior movimentação de peixes no local, mas normalmente são observadas espécies menores, como piau, lambari e papa-terra.

Ítalo também relatou que tucunarés já foram encontrados com frequência no lago, embora a quantidade de exemplares maiores tenha diminuído ao longo do tempo.

Após a medição e os registros em vídeo, o surubim-cachara foi devolvido à natureza.

Pintado e cachara: semelhantes, mas diferentes

O Bastidores do Tocantins conversou com o biólogo Hugo Buratti, que explicou as principais diferenças entre o cachara e o pintado.

Apesar de pertencerem à mesma família e ao mesmo gênero, as espécies podem ser diferenciadas principalmente pelo padrão das manchas presentes no corpo.

“Eles pertencem à mesma família e gênero, no entanto, o que difere as espécies é o padrão de mancha do corpo, o tamanho e peso. O pintado (Pseudoplatystoma corruscans), como o próprio nome já diz, possui apenas pontos em sua pele, e o cachara (Pseudoplatystoma fasciatum) possui faixas verticais pretas irregulares”, explicou.

Segundo o biólogo, o cachara pode ser encontrado nas bacias Amazônica, Araguaia/Tocantins e do Prata e pode ultrapassar um metro de comprimento e chegar aos 30 quilos.

Já o pintado ocorre em bacias como as dos rios São Francisco, Negro, Paraná e Prata e pode atingir aproximadamente 1,80 metro de comprimento e 85 quilos.

Bastidores do Tocantins

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