Rodovia

Um ano após tragédia, queda da Ponte JK segue sem responsáveis e com três vítimas desaparecidas

Colapso na BR-226 matou 14 pessoas, gerou impacto ambiental e expôs falhas de manutenção; investigações ainda não foram concluídas.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

O desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), completa um ano nesta segunda-feira (22) marcado por dor, incertezas e ausência de responsabilizações. A tragédia, ocorrida em 22 de dezembro de 2024, resultou na morte de 14 pessoas, deixou três vítimas desaparecidas e provocou um dos maiores acidentes rodoviários da história recente da região Norte.

Na tarde daquele domingo, o vão central da ponte cedeu repentinamente, lançando veículos e pessoas no Rio Tocantins. Ao todo, 18 pessoas estavam sobre a estrutura no momento do colapso. Apenas uma sobreviveu. Além das perdas humanas, o acidente gerou impactos logísticos severos no corredor Belém–Brasília e levantou alertas ambientais devido à queda de caminhões carregados com ácido sulfúrico e defensivos agrícolas no rio.

Sete meses após o acidente, a Polícia Federal (PF) concluiu o laudo pericial apontando que a queda foi causada pela combinação de excesso de peso, deficiência estrutural e ausência de manutenção adequada. O relatório também indicou omissão de agentes públicos, uma vez que havia alertas técnicos anteriores sobre o risco de colapso. Apesar disso, o inquérito segue em andamento, sem indiciamentos ou prisões até o momento.

Vítimas e buscas encerradas

Das 18 pessoas que caíram no rio, 14 corpos foram localizados e identificados. Permanecem desaparecidos Salmon Alves Santos (65 anos), Felipe Giuvannuci Ribeiro (10 anos) e Gessimar Ferreira da Costa (38 anos). A Marinha do Brasil informou que as buscas chegaram ao limite técnico-operacional em 29 de janeiro de 2025, podendo ser retomadas apenas caso surjam novas informações concretas.

Vítimas do desabamento da Ponte JK: tragédia deixou 14 mortos e três pessoas desaparecidas, um ano após o colapso da estrutura sobre o Rio Tocantins – Foto: Montagem;

As operações de resgate mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros do Tocantins e do Maranhão, além da Marinha, e duraram 42 dias ininterruptos. As buscas subaquáticas foram dificultadas pela profundidade do rio, pela correnteza e pelo risco químico causado pelas cargas tóxicas submersas.

Estrutura antiga já apresentava falhas graves

Construída na década de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek, a ponte possuía 533 metros de extensão e foi considerada um marco da engenharia à época. No entanto, relatórios técnicos do DNIT, especialmente um documento de 2020, já apontavam vibrações excessivas, rebaixamento de 70 centímetros no vão central e condição estrutural classificada como precária.

Fotos usadas em relatório do Dnitsobre a ponte entre o TO e o MA, finalizado em 2020 — Foto: Divulgação/DNIT;

Apesar das recomendações para reabilitação e da abertura de editais, uma licitação de R$ 13 milhões para obras de recuperação fracassou por falta de empresas habilitadas. O tráfego seguiu liberado até o colapso, mesmo diante dos alertas técnicos.

Investigação e responsabilização

Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) apura os danos ambientais causados pelo derramamento de substâncias tóxicas no Rio Tocantins. Um inquérito civil segue em tramitação, assim como uma ação popular que pede a reconstrução da ponte, a implementação de um plano permanente de manutenção e a reparação ambiental.

O DNIT informou que instaurou uma Investigação Preliminar Sumária (IPS) na Corregedoria e exonerou o superintendente responsável pelo trecho, mas destacou que o procedimento ainda não foi concluído.

Nova ponte e memória da tragédia

Os restos da antiga estrutura foram implodidos em fevereiro de 2025, abrindo espaço para a construção de uma nova ponte, erguida em menos de dez meses. A nova estrutura, com vão livre de 154 metros, foi construída em ritmo acelerado, com mais de 500 trabalhadores atuando em dois turnos, e foi inaugurada nesta segunda-feira (22).

Nova Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, construída após o desabamento da antiga estrutura, será inaugurada nesta segunda-feira, 22 – Foto: Divulgação/DNIT;

Mesmo com a entrega da nova ponte, o aniversário de um ano do desabamento da Ponte JK reforça um sentimento coletivo de luto e cobrança. Para familiares das vítimas e moradores da região, a reconstrução física não apaga a ausência de respostas definitivas sobre responsabilidades, nem encerra a dor deixada por uma tragédia que, segundo a própria investigação, poderia ter sido evitada.

Bastidores do Tocantins

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