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O homem por trás do nome: conheça Joaquim Teotônio Segurado, símbolo da luta pela emancipação do Tocantins

Por mais de três décadas, seu nome batizou a principal avenida de Palmas. Mas quem foi o português que defendeu o desenvolvimento e a autonomia do norte goiano no século XIX?

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

Desde a inauguração de Palmas, em 1990, a principal avenida da capital — que corta a cidade de norte a sul — levou o nome de Joaquim Teotônio Segurado. Isso mudou recentemente, quando a Câmara Municipal aprovou e a Prefeitura sancionou a alteração para Avenida Siqueira Campos, em homenagem ao primeiro governador do Tocantins e líder do movimento que tornou o Estado independente de Goiás em 1988.

A mudança reacendeu o debate sobre quem foi Teotônio Segurado, o magistrado português que se tornou símbolo da luta pela autonomia política e econômica do norte goiano, região que hoje corresponde ao Tocantins.

Raízes e formação em Portugal

Nascido em Moura, Portugal, em 1775, Teotônio Segurado pertencia a uma família nobre da província do Alentejo. Formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra, curso que preparava magistrados para servir à Coroa portuguesa.

Após ser aprovado em exame de nobreza e conduta, foi nomeado juiz de fora em Melgaço, e, em 1804, foi designado para atuar na Ouvidoria Geral da província de Goiás, no Brasil.

Atuação no norte de Goiás

Ao chegar a Goiás, encontrou uma província em crise econômica e política. Segundo a historiadora Kátia Maia Flores, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Teotônio se destacou por sua inteligência administrativa e visão de futuro, conquistando prestígio entre as lideranças do norte goiano.

Defensor do desenvolvimento da região, ele propôs medidas para estimular o comércio fluvial e a integração com o Pará por meio dos rios Tocantins e Araguaia, até então proibidos para navegação por ordem da Coroa.

“Ele foi responsável por dar início à comunicação entre o norte goiano e os portos do Norte do Brasil, propondo medidas pioneiras que mudaram a dinâmica da região”, explica a historiadora.

Teotônio também fundou a vila de São João da Palma (atual Paranã) e o presídio de Santa Maria, além de propor a criação de sociedades mercantis que incentivassem o comércio entre Goiás e o Pará.

O ideal da emancipação

Com o agravamento da crise política na província, Teotônio Segurado passou a liderar um grupo de notáveis do norte de Goiás que defendiam autonomia administrativa e econômica em relação ao governo provincial, sediado no sul.

Ele foi eleito deputado nas Cortes de Portugal, representando tanto Goiás quanto São João da Palma, e levou à Europa o pedido de criação de uma nova província — proposta que foi rejeitada pela Coroa.

Mesmo assim, suas ideias inspiraram gerações posteriores, tornando-se base para o movimento que resultou, em 1988, na criação do Estado do Tocantins.

Últimos anos e legado

Perseguido politicamente por suas ideias emancipacionistas, Teotônio Segurado teve os bens confiscados e foi assassinado em 14 de outubro de 1831, em Paranã, onde viveu até o fim da vida.

“Mesmo derrotado nas Cortes, ele escolheu permanecer no Brasil. Os filhos dele ficaram aqui, trabalharam e morreram aqui. A ligação dele com esta terra foi mais forte que qualquer perseguição”, ressalta a professora Kátia Maia.

Memória preservada

Para a historiadora, lembrar de Teotônio Segurado é essencial para compreender as raízes históricas e políticas do Tocantins.

“A história é uma forma de preservar fragmentos do passado. E a trajetória de Teotônio Segurado representa um desses fragmentos fundamentais que ajudam a compreender o presente”, conclui Kátia.

Bastidores do Tocantins

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