Plantão Policial

Medida protetiva é descumprida e mulher denuncia agressão de policial militar em Palmas

Caso é investigado pela Deam e reforça dados sobre descumprimento de medidas protetivas no estado.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

Mesmo com amparo legal garantido por medidas protetivas, casos de violência doméstica continuam sendo registrados no Tocantins. Um episódio recente, ocorrido em Palmas, envolve Ingrid Gabriele Santos, que denunciou ter sido agredida pelo ex-companheiro, o policial militar Edimar Silva Araújo.

Segundo relato da vítima, que já possuía medida protetiva de urgência desde 2025, ela sofreu socos na cabeça e na costela durante a agressão mais recente, ocorrida na noite de 14 de fevereiro. Ingrid afirma que foi até a residência do ex-companheiro para cobrar uma dívida de R$ 1,5 mil, valor que seria destinado à compra de medicamentos para a filha, atualmente internada.

“É terrível, é você estar sempre assombrada. Você não vive bem dentro da sua casa. Eu mesma estou aterrorizada porque ele sabe a minha rota, sabe onde eu moro. É viver como se fosse um monstro vindo atrás de ti o tempo todo”, desabafou.

A vítima relata que teve o cabelo puxado, recebeu tapas e diversos socos, além de ter sido arremessada contra a parede. O celular dela também foi danificado. As marcas das agressões ainda estariam visíveis em seu rosto e corpo.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência e é investigado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Palmas. O policial, segundo-tenente da Polícia Militar do Tocantins, é concursado desde 2005 e atua como músico na ajudância-geral da corporação.

Por meio de advogado, o militar informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo para se manifestar detalhadamente, mas destacou o compromisso com o devido processo legal e com o enfrentamento à violência doméstica.

Dados preocupam

De acordo com levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), até 16 de fevereiro de 2026 foram registrados 80 descumprimentos de medidas protetivas no estado, sendo 26 apenas na capital.

A advogada Jheccey Camelo reforça que, apesar dos casos de descumprimento, a medida protetiva é um instrumento jurídico fundamental para a proteção das vítimas.

“Infelizmente, várias vítimas, quando chegam para nós, dizem: ‘Doutora, mas esse papel vai me adiantar do quê? Esse papel não vai salvar minha vida’. Mas ele salva. Eu diria para essas mulheres: denunciar, não temer, não ficar calada. Vamos denunciar esses agressores porque eles têm que ser presos”, alertou.

Em nota, a Polícia Militar do Tocantins informou que não compactua com condutas que violem a lei e que instaurará procedimento administrativo para apurar os fatos. O caso segue sob investigação.

 

Bastidores do Tocantins

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