Marinha aponta superlotação e determina adequações em balsas que operam na travessia entre Tocantins e Maranhão
Fiscalização constatou excesso de veículos nas embarcações que substituem a Ponte JK; filas se formam após limitação do número de transportes por viagem.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A Marinha do Brasil determinou a adequação imediata das operações das balsas que fazem a travessia entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), no Rio Tocantins, após identificar que as embarcações estavam operando acima da capacidade permitida. A medida foi tomada após denúncias e confirmada durante fiscalização realizada pela Capitania Fluvial do Araguaia-Tocantins (CFAT).
As balsas passaram a operar no trecho em março de 2025, após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), ocorrido em dezembro do ano passado. As embarcações foram contratadas emergencialmente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) por R$ 39,9 milhões, com contrato válido até 22 de dezembro de 2025. A travessia é gratuita para a população.
Segundo a Marinha, as balsas devem obedecer os limites legais estabelecidos na documentação técnica de cada embarcação. Uma delas pode transportar até 20 veículos, e a outra, 50 veículos. Após a fiscalização, esses limites passaram a ser rigidamente respeitados, o que provocou longas filas de veículos e caminhões nos dois lados da travessia.
Vídeos enviados por usuários mostram que, em alguns casos, a capacidade máxima das balsas já está sendo atingida somente com o embarque de motocicletas, o que intensifica ainda mais o congestionamento.
Em nota, a Marinha esclareceu que a limitação não é uma nova imposição, mas o cumprimento das normas já previstas nas Normas da Autoridade Marítima (NORMAM). “A atuação da MB se dá no campo da segurança da navegação, fiscalizando se as embarcações em operação estão regulares e cumprem os requisitos técnicos para os quais foram projetadas”, informou a instituição.
O Bastidores do Tocantins solicitou posicionamento da empresa Amazônia Navegações LTDA, responsável pelas embarcações, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
Relembre o desabamento da Ponte JK
A Ponte JK desabou no dia 22 de dezembro de 2024, por volta das 14h50. A tragédia deixou 14 mortos, um sobrevivente e três desaparecidos. Na ocasião, caíram no rio três motos, um carro, duas caminhonetes e quatro caminhões — dois deles carregando ácido sulfúrico e defensivos agrícolas.
As estruturas remanescentes da ponte foram implodidas em fevereiro deste ano e os escombros retirados. A nova ponte já está em construção, com investimento de R$ 172 milhões. A previsão de entrega é para 22 de dezembro de 2025.



