JBS amplia controle da cadeia da carne ao investir em tecnologia e dominar logística do transporte de gado
Empresa aposta em aplicativo próprio, integra dados estratégicos e reforça modelo verticalizado para aumentar margem e poder de negociação no mercado.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A JBS, maior processadora de carne do mundo, vem consolidando uma estratégia de domínio total da cadeia produtiva ao investir em tecnologia e assumir o controle de etapas que antes dependiam de terceiros, como o transporte de gado. A iniciativa inclui o desenvolvimento do aplicativo UBOI, uma plataforma digital criada para gerenciar a logística do transporte de animais em todo o território nacional.
A ferramenta funciona de forma semelhante a aplicativos de transporte, conectando pecuaristas a caminhoneiros disponíveis, calculando rotas ideais e permitindo o acompanhamento das viagens em tempo real. A partir do uso da plataforma, cada deslocamento gera uma base de dados estratégica, reunindo informações como origem, destino, volume transportado, peso e características do gado.

Com esse sistema, a empresa passou a ter uma visão antecipada do fluxo da produção pecuária no país, sabendo com antecedência quantos animais estão sendo transportados, para onde vão e em que escala. Esse nível de informação amplia o poder de negociação da companhia, reduz dependências externas e contribui diretamente para o aumento da margem de lucro.

Segundo dados apresentados, o Brasil transporta entre 70 e 80 milhões de cabeças de gado por ano, e cada animal costuma ser deslocado ao menos duas vezes, da fazenda de cria para a engorda e, posteriormente, para o frigorífico. Ao integrar esse fluxo à sua própria estrutura logística, a JBS passa a controlar não apenas o processamento da carne, mas também uma etapa decisiva da cadeia.
Em cerca de cinco anos, o investimento inicial de aproximadamente R$ 1 milhão resultou em uma frota com centenas de caminhões ativos, dezenas de milhares de viagens realizadas, cobertura nacional e monitoramento contínuo das operações. O modelo reduz custos, elimina intermediários e fortalece a inteligência de mercado da empresa.

A estratégia reforça o movimento de verticalização do grupo, que hoje concentra frigoríficos, transporte, logística e dados sob uma mesma gestão. Com menos dependência de fornecedores externos, a companhia amplia o controle operacional e consolida sua posição de liderança no setor.



