Povos indígenas

Indígena que representará o Tocantins no Miss Brasil Mundo desenvolve trabalho social em aldeias do estado

Tainá Marrirú, do povo Karajá, lidera projeto que utiliza esporte e psicologia como ferramentas de cuidado com crianças e jovens indígenas.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

A representante do Tocantins na 64ª edição do Miss Brasil Mundo, Tainá Marrirú, tem se destacado não apenas no universo dos concursos de beleza, mas também pelo trabalho social desenvolvido junto a comunidades indígenas. Integrante do povo Karajá, ela atua diretamente em aldeias com ações voltadas à saúde mental e física de crianças e adolescentes.

Atleta, professora de Educação Física e pesquisadora, Tainá é idealizadora do Projeto Ahãdu, iniciativa voluntária que utiliza o esporte como instrumento de acolhimento, fortalecimento cultural e prevenção ao suicídio em territórios indígenas. O projeto reúne atividades esportivas, escuta psicológica e valorização das tradições ancestrais.

“Durante minha trajetória, compreendi que o esporte é uma poderosa ferramenta de transformação social. Foi durante a pandemia que me questionei sobre como estava a saúde mental nas aldeias, e desse questionamento nasceu a primeira ação do projeto Ahãdu”, explica.

A palavra Ahãdu, que significa Lua no idioma Inyrybe, do povo Karajá, dá nome ao projeto criado a partir das reflexões da miss durante a pandemia da Covid-19. Ao observar o crescimento de transtornos como ansiedade e depressão no mundo, Tainá voltou o olhar para a realidade das aldeias e para a carência de políticas e iniciativas voltadas ao bem-estar emocional dos povos originários.

O projeto também carrega um forte significado pessoal. Segundo Tainá, a inspiração vem das ações sociais desenvolvidas por seu pai, Marcello de Oliveira, falecido em decorrência de um câncer cerebral. “Meu pai sempre esteve envolvido em ações sociais. Ele partiu cedo, mas me deixou um legado de amor ao próximo e às crianças, que faço questão de levar adiante”, afirma.

Primeira indígena no Miss Brasil Mundo

Aos 25 anos, Tainá Marrirú entra para a história como a primeira mulher indígena a disputar o Miss Brasil Mundo. Embora tenha nascido e sido criada em São Paulo, ela retornou ao Tocantins movida pelas raízes maternas e pelo compromisso com a aldeia Santa Isabel, localizada na Ilha do Bananal.

“Honrar minhas origens sempre foi o meu maior propósito. Mostrar que o povo indígena pode ocupar espaços de relevância, de fala e de representatividade é algo muito maior do que um concurso”, destaca.

Formada em Educação Física pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Tainá também atuou como pesquisadora no Distrito Sanitário Especial Indígena Tocantins (DSEI/TO). Inserida no universo dos concursos desde os 16 anos, ela vê a participação no Miss Brasil Mundo como uma plataforma para ampliar o alcance das pautas indígenas.

Para o futuro, a miss não descarta a possibilidade de representar o Brasil em competições internacionais. “A organização do concurso oferece oportunidades para que várias candidatas possam representar o país fora. Meu objetivo é continuar levando minha história, meu povo e meu trabalho social cada vez mais longe”, conclui.

Bastidores do Tocantins

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