Karol Digital completa um mês presa sob acusação de movimentar R$ 217 milhões com jogos ilegais
Influenciadora de Araguaína é suspeita de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e ocultação de bens por meio de empresas e holdings no Tocantins.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A influenciadora tocantinense Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida nas redes sociais como Karol Digital, completou nesta segunda-feira, 22 de setembro, um mês de prisão após ser detida durante a Operação FRAUS, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins. Ao lado do namorado, Dhemerson Rezende Costa, Karol é investigada por crimes de exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
A operação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão em imóveis e empresas ligados ao casal, que, segundo a polícia, movimentou mais de R$ 217 milhões entre 2019 e 2024, através de apostas online e empresas de fachada.
Ambos estão presos preventivamente. Karol cumpre pena na Unidade Penal Feminina de Ananás, enquanto Dhemerson está na Casa de Prisão Provisória de Araguaína. A defesa do casal chegou a pedir prisão domiciliar, mas o Tribunal de Justiça do Tocantins negou o recurso.
Mentorias, fraudes e vítimas endividadas
As investigações apontam que a influenciadora enganava seus mais de 1,5 milhão de seguidores, alegando que seus ganhos vinham apenas de apostas pessoais — e não de contratos publicitários com plataformas ilegais. Em mensagens interceptadas pela polícia, Karol afirmou cobrar R$ 30 mil por divulgação, mesmo negando vínculo com casas de apostas.
Segundo o delegado Wanderson Queiroz, a influenciadora simulava ganhos exorbitantes, o que levou diversas vítimas a apostarem valores altos e acabarem endividadas. Algumas pessoas chegaram a pedir ajuda financeira à Karol após perderem tudo.
Bens, carros de luxo e empresas

A Polícia Civil apreendeu um verdadeiro império vinculado à influenciadora, incluindo:
- 7 veículos de luxo, como um Porsche (R$ 979 mil), uma RAM 3500 (R$ 475 mil) e uma McLaren Artura (R$ 3,1 milhões).
- 7 imóveis localizados em Araguaína e Babaçulândia, incluindo a conhecida “Mansão da Digital”, usada para reality show com 27 pessoas.
- Uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões, com 248 bovinos e cavalos de raça, no município de Palmeirante.
Ainda segundo a investigação, os bens foram distribuídos entre seis empresas, com indícios de tentativa de ocultação de patrimônio. Entre os empreendimentos estão:
- Karol Digital Boutique (moda)
- Karol Digital Beauty (estética)
- USE KD Beauty LTDA (suplementos)
- Haras KD (agronegócio)
- MK Publicidades
- M.K.C.F. Holdings LTDA
Essas empresas, de acordo com a polícia, eram utilizadas para “clarear” o dinheiro ilícito, criando uma aparência de legalidade às movimentações milionárias.



