Do colapso à reconstrução: nova Ponte JK em fase avançada substitui estrutura que desabou em 2024
Obra já atinge 50% de execução; estrutura anterior provocou 14 mortes e três desaparecidos, e teve implantação de novo atracadouro para minimizar impacto.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
O desabamento da antiga Ponte Juscelino Kubitschek — que ligava Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO) — ocorreu em 22 de dezembro de 2024, envolvendo tragicamente a queda de veículos no Rio Tocantins e resultando em múltiplas vítimas. Agora, enquanto a nova ponte avança em ritmo acelerado, a reconstrução busca restabelecer não só a travessia, mas a confiança na infraestrutura da região.
Histórico da ponte antiga e consequências do colapso
A ponte rodoviária original foi inaugurada em 1961 e ficava sobre a BR-226/BR-010, com extensão de cerca de 533 metros e vão livre de 140 metros. Em dezembro de 2024, sua estrutura central não resistiu e parte cedeu, fazendo com que ao menos 14 pessoas perdessem a vida e três permanecessem desaparecidas. Caminhões carregando 76 toneladas de ácido sulfúrico e milhares de litros de agrotóxicos também despencaram com a ponte, suscitando alerta quanto a contaminação ambiental no Rio Tocantins. A ponte ferroviária vizinha, parte da Estrutura Ferroviária Estreito-Aguiarnópolis, não foi afetada pelo colapso.
Em 2 de fevereiro de 2025, os remanescentes da estrutura foram implodidos, gerando cerca de 7 toneladas de entulhos, que foram subsequentemente removidos.
O colapso interrompeu a principal ligação rodoviária entre os estados do Tocantins e Maranhão, provocando impactos graves no transporte de pessoas e carga, além de comprometer o escoamento da produção agrícola regional.
Avanços da nova ponte e novidades na construção
A nova Ponte JK já atingiu marca de 50% de execução, conforme divulgado pelo Dnit. Até o momento, foram concluídas 24 fundações e 26 pilares. Em paralelo, está em curso a fabricação local das 45 vigas pré-moldadas que comporão a Obra de Arte Especial (OAE).
Os trabalhos também incluem montagem de pré-lajes e execução das aduelas de disparo, técnicas aplicadas ao sistema de balanço sucessivo. Essa metodologia permite que segmentos da ponte (as aduelas) sejam construídos progressivamente a partir dos pilares centrais, sem necessidade de escoramentos sobre o leito do rio.
A nova estrutura terá 630 metros de comprimento, 19 metros de largura e vão livre de 154 metros. Serão duas faixas de rolamento (cada uma com 3,6 metros), dois acostamentos de 3 metros, barreiras de proteção tipo New Jersey, passeios para pedestres e guarda-corpos nas laterais do tabuleiro.
O investimento federal estimado é de R$ 171,1 milhões. Além disso, para minimizar os impactos no tráfego durante as obras, foi finalizada a construção de um segundo atracadouro para travessia por balsas — agora, o trecho conta com quatro atracadouros, dois em cada margem (Estreito e Aguiarnópolis). Também foi pavimentada uma segunda via de acesso para diferenciar o fluxo entre veículos leves e pesados.
O governo estadual e federal reafirmam que a previsão é de que a ponte seja concluída até dezembro de 2025. Durante recente reunião do governador Wanderlei Barbosa com o ministro dos Transportes, foi ratificado o compromisso de cumprir esse cronograma, sobretudo diante da importância estratégica da ponte para a região.
Impacto e expectativas
Com metade da obra concluída e diversas frentes de trabalho simultâneas, há otimismo quanto à entrega dentro do prazo estipulado. A reconstrução da ponte representa não apenas a reabertura de um eixo vital para o escoamento regional, mas também a reconstrução de confiança na infraestrutura pública da região.
Enquanto isso, a retomada da travessia por balsas e a implantação de rotas alternativas (rodovias estaduais reforçadas) ajudaram a mitigar parte dos danos à mobilidade.
A nova Ponte JK entra para o rol de projetos cuidadosamente acompanhados pela população e pelos governos federal e estadual, com expectativas altas para que o marco de integração entre Tocantins e Maranhão volte a cumprir seu papel com mais segurança, robustez e responsabilidade ambiental.



