Plantão Policial

Ex-gerente de fazenda é preso suspeito de desviar até R$ 10 milhões no Tocantins

Operação da Polícia Civil cumpriu mandados em três cidades e identificou esquema de superfaturamento e agiotagem

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

O ex-gerente de uma fazenda no Tocantins foi alvo de uma operação da Polícia Civil nesta terça-feira (7), suspeito de desviar valores milionários enquanto ocupava cargo de confiança na propriedade rural. De acordo com as investigações, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 10 milhões.

A Justiça determinou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, além de uma ordem de prisão preventiva. As ações ocorreram nos municípios de Miranorte e Lajeado, no Tocantins, e em Novo São Joaquim, no Mato Grosso. Também foi autorizado o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa, além de R$ 1,6 milhão vinculados a uma empresa apontada como parte do esquema.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito utilizava o cargo para superfaturar serviços prestados por terceiros à fazenda. A diferença entre os valores reais e os informados era desviada para contas próprias e de terceiros.

As investigações começaram há cerca de seis meses, após os proprietários identificarem inconsistências financeiras. A polícia aponta que os crimes ocorreram entre 2021 e 2025, período em que o ex-gerente teria se aproveitado da confiança dos donos da propriedade.

Além do desvio, o investigado também é suspeito de atuar como agiota, utilizando parte dos valores em empréstimos informais. Durante o inquérito, foi identificada uma evolução patrimonial incompatível com a renda declarada. Apesar de receber salário de cerca de R$ 26 mil, o patrimônio teria saltado de aproximadamente R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre 2023 e 2024, sem comprovação de origem.

A apuração também revelou aplicações superiores a R$ 2,5 milhões em fundos de investimento, identificadas após quebra de sigilo autorizada pela Justiça. Os investigadores encontraram ainda pesquisas na internet relacionadas a investimentos capazes de gerar renda mensal elevada e a processos envolvendo funcionários acusados de superfaturamento.

Documentos analisados pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) apontaram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem. Empresas prestadoras de serviço relataram comportamento intimidatório durante cobranças, incluindo, segundo depoimentos, o uso de arma de fogo.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam duas pistolas em um dos endereços. Em Miranorte, as buscas ocorreram na residência do investigado e em uma empresa com contratos com a fazenda. Em Lajeado, as equipes estiveram em uma chácara adquirida, segundo a polícia, com recursos ilícitos. Já em Novo São Joaquim, no Mato Grosso, as diligências foram realizadas em imóveis ligados ao suspeito e registrados em nome de terceiros.

O investigado poderá responder por furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e crime de usura, além de outros delitos apontados no inquérito. A prisão preventiva foi autorizada com base na gravidade dos fatos, na continuidade das condutas e em indícios de que ele planejava deixar o estado, além de relatos de intimidação.

A operação foi conduzida pela 6ª DEIC de Paraíso, com apoio de unidades da Polícia Civil do Tocantins e do Estado de Mato Grosso.

Bastidores do Tocantins

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