Esporte

CBF lança programa inédito de profissionalização da arbitragem nacional

Projeto prevê contratação de 72 árbitros a partir de 2026, com salários mensais, bônus por desempenho e estrutura completa de apoio técnico e psicológico.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta terça-feira (27), a implementação do primeiro programa de profissionalização da arbitragem da história da entidade. A iniciativa estabelece a contratação de equipes fixas de árbitros para atuar, de forma contínua, nas competições profissionais do futebol brasileiro, com foco inicial no Campeonato Brasileiro da Série A.

O novo modelo prevê a contratação de 72 profissionais a partir da temporada de 2026, que passarão a receber remuneração mensal, acrescida de taxas variáveis e bônus vinculados ao desempenho em campo. Embora não haja exigência de exclusividade, os árbitros deverão priorizar a atividade, contando com uma estrutura inédita de apoio técnico, físico e psicológico.

Do total de profissionais selecionados, 20 serão árbitros centrais — sendo 11 integrantes do quadro da FIFA —, 40 assistentes (20 deles também da FIFA) e outros 12 árbitros de vídeo (VAR), todos credenciados internacionalmente. Ao fim de cada temporada, haverá um sistema de avaliação com possibilidade de rebaixamento e promoção, garantindo renovação e meritocracia dentro do quadro.

Durante o lançamento do programa, realizado no Rio de Janeiro, o presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que a iniciativa segue padrões adotados por grandes federações internacionais. Segundo ele, a profissionalização corrige uma distorção histórica na arbitragem brasileira. “Estamos falando de profissionais que sempre estiveram no centro do campo, mas por muito tempo ficaram à margem do suporte institucional. A falta de estrutura impactava diretamente o desempenho. Esse cenário começa a mudar”, afirmou.

Até então, os árbitros brasileiros atuavam sem vínculo formal com a confederação, recebendo apenas por partida trabalhada, em um modelo semelhante ao de prestação de serviços eventuais.

Avaliação contínua e formação técnica

Além da remuneração fixa, os árbitros serão submetidos a avaliações sistemáticas realizadas por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF. Os critérios incluem controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e comunicação, resultando em notas e um ranking atualizado a cada rodada.

Os profissionais contarão com planos individualizados de treinamento, rotina semanal de preparação física, monitoramento tecnológico e suporte permanente nas áreas de saúde, fisioterapia, nutrição e psicologia. Estão previstas ainda quatro avaliações anuais, com testes físicos e simulações de jogo.

O programa foi desenvolvido ao longo do último ano por um grupo de trabalho coordenado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques, com a participação de 38 clubes das Séries A e B, além de federações estaduais, associações de árbitros e consultores internacionais.

A implementação oficial está prevista para março, quando começam as contratações e o novo padrão operacional da arbitragem brasileira. O investimento total anunciado para o programa é de R$ 195 milhões, referentes ao biênio 2026–2027.

Bastidores do Tocantins

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