Investigação

Disputa no mercado de abacaxi teria motivado assassinato de produtor rural em Miranorte

Investigação da Polícia Civil aponta fazendeiro como mandante da morte de José Geraldo Fonseca; intermediários foram presos e executores morreram em confronto durante operação

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins

Após um ano e meio de investigações sobre a morte do produtor rural José Geraldo Oliveira Fonseca, de 39 anos, a Polícia Civil informou que o crime teria sido motivado por uma disputa no mercado de produção de abacaxi em Miranorte, na região central do Tocantins. De acordo com o inquérito, o mandante do assassinato seria um fazendeiro que atuava como concorrente direto da vítima no setor.

As investigações identificaram intermediários, rastrearam pagamentos fracionados e apontaram os executores do homicídio. Dois homens suspeitos de participar diretamente do crime foram localizados em Maceió (AL), onde morreram em confronto com policiais durante uma operação realizada na terça-feira (10). A ação também cumpriu mandados de prisão no Tocantins e no Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, Roberto Coelho de Sousa, fazendeiro que atua na produção de abacaxi em Miranorte, é apontado como mandante do crime. Ele foi preso durante a operação. A investigação indica que Roberto mantinha rivalidade comercial e desentendimentos pessoais com José Geraldo, fatores que teriam motivado o homicídio.

Conhecido como “Geraldo do Abacaxi”, José Geraldo trabalhava há cerca de 18 anos no cultivo, compra e venda da fruta. Ele mantinha um escritório na cidade e empregava trabalhadores do setor. Familiares o descrevem como um homem dedicado ao trabalho e à comunidade.

O crime ocorreu em 7 de setembro de 2024, quando a vítima jantava com a família em uma pizzaria no centro de Miranorte. De acordo com a investigação, dois homens armados invadiram o local e efetuaram vários disparos contra o produtor rural. Após o ataque, os criminosos ainda roubaram um cordão usado pela vítima e fugiram.

Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. Desde o dia do crime, equipes da Polícia Civil iniciaram diligências para identificar os envolvidos.

A operação policial identificou três níveis de participação no esquema: o suposto mandante, intermediários responsáveis por contratar os executores e os pistoleiros que teriam realizado o assassinato. Três intermediários foram identificados — dois foram presos em Miranorte e um no Rio de Janeiro.

As investigações contaram com monitoramento bancário, análise de imagens e cooperação entre equipes policiais do Tocantins, Alagoas e Rio de Janeiro. Segundo a polícia, o pagamento pelo crime teria sido feito por meio de depósitos fracionados nas contas dos executores. Um dos suspeitos foi identificado a partir de fragmentos de impressões digitais encontrados durante a investigação.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar possíveis outros envolvidos no planejamento e execução do crime, incluindo eventuais apoios logísticos ou financeiros.

Em nota, a defesa de Roberto Coelho de Sousa afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo, o que, segundo os advogados, impede uma análise detalhada dos fatos. A defesa também informou que adotará medidas jurídicas para garantir o acesso ao procedimento e reiterou o direito constitucional do investigado à ampla defesa e ao contraditório.

 

Bastidores do Tocantins

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