Agricultores do Tocantins apostam em bioinsumos para proteger lavouras e reduzir uso de químicos
Pesquisas da Embrapa em Palmas desenvolvem fórmulas naturais que aumentam resistência das plantas à estiagem e promovem controle biológico.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Produtores rurais do sul do Tocantins estão adotando uma alternativa sustentável para proteger as lavouras de soja, milho e outras culturas: os bioinsumos, produtos naturais que reforçam a resistência das plantas e ajudam no controle biológico de pragas, com menor impacto ambiental.
A inovação está sendo testada em fazendas como a de Alexander Borguetti, no município de Alvorada. Ele destaca que os bioinsumos aumentam o tempo de atuação sobre os insetos nas plantações. “A maioria dos químicos elimina os insetos por contato. O biológico atua por mais tempo na planta, fazendo esse controle natural”, explicou.
Outro produtor, Marcelo Paro, também está avaliando a eficiência dos bioinsumos em sua propriedade. “Estamos testando tudo que podemos para ver se conseguimos reduzir o uso de químicos e adotar mais o biológico”, afirmou.
De acordo com pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, os bioinsumos podem ser formulados com microorganismos, extratos vegetais e até insetos benéficos. Uma das pesquisas mais promissoras utilizou bactérias encontradas em cactos para criar uma solução que aumenta a resistência dos grãos à estiagem.
“A água é o insumo mais caro e essencial. Ter plantas que resistem melhor à seca é fundamental para o sucesso da lavoura”, destacou o pesquisador Rodrigo Veras, da Embrapa.
Além de contribuir com a sustentabilidade, os bioinsumos têm ação prolongada, promovem a biodiversidade e reduzem a dependência de insumos fósseis, favorecendo uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas.
Crescimento acelerado no mercado
O uso de bioinsumos tem crescido exponencialmente. O setor movimenta atualmente cerca de US$ 15 bilhões ao ano, e a previsão é de que atinja US$ 45 bilhões nos próximos sete anos. O Brasil, em 2025, deve assumir a liderança mundial no uso desses produtos em larga escala, segundo a Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI).
“Enquanto outros países utilizam bioinsumos em áreas controladas, como estufas, o Brasil já aplica em grandes culturas como soja, milho, algodão e café”, afirmou Eduardo Leão, presidente da Croplife Brasil.
Para o engenheiro agrônomo Cristiano Forte, a transição para os bioinsumos é inevitável. “O biológico veio para ficar. Hoje usamos em conjunto com o químico, mas no futuro, o caminho será cada vez mais voltado para ele.”



