Política

Ação militar dos EUA na Venezuela ameaça paz na América do Sul, afirma embaixador brasileiro na ONU

Brasil condena uso da força, classifica intervenção como violação do direito internacional e alerta para riscos de instabilidade regional.

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

O governo brasileiro voltou a condenar, nesta segunda-feira (5), a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Para o Brasil, a operação representa uma ameaça direta à paz e à estabilidade da América do Sul.

Durante o encontro, o embaixador brasileiro Sérgio França Danese afirmou que intervenções armadas no continente evocam períodos históricos marcados por autoritarismo, graves violações de direitos humanos, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados. Segundo ele, a iniciativa norte-americana rompe compromissos internacionais assumidos para manter a região como uma zona de paz.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a América do Sul como uma zona de paz”, declarou Danese, reforçando o compromisso brasileiro com os princípios da não intervenção e da solução pacífica de controvérsias.

Na avaliação do governo brasileiro, os Estados Unidos ultrapassaram uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional. O embaixador destacou que a ação viola frontalmente a Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo exceções expressamente previstas.

“As normas internacionais não admitem que a exploração de recursos naturais ou interesses econômicos sejam usados como justificativa para o emprego da força ou para a mudança ilegal de um governo”, afirmou Danese.

O diplomata defendeu ainda que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, por meio do diálogo, sem interferência externa e dentro dos marcos do direito internacional. “Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, completou.

Repercussão regional

A posição brasileira foi acompanhada por outros países da região. Colômbia e Cuba também condenaram a ação norte-americana. A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres afirmou que não existe qualquer justificativa para o uso unilateral da força e alertou para os impactos humanitários e migratórios que a crise pode gerar.

Já o embaixador cubano Ernesto Soberón Guzmán acusou os Estados Unidos de terem como objetivo o controle dos recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo. Ele também negou acusações de que Cuba mantenha operações secretas no território venezuelano, classificando-as como infundadas.

Posição da Argentina

Na contramão da maioria dos países sul-americanos, a Argentina manifestou apoio à ação dos Estados Unidos. O embaixador argentino na ONU, Francisco Fabián Tropepi, afirmou que a operação representa um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para a restauração da democracia na Venezuela.

Tropepi destacou ainda que a Argentina continuará denunciando a situação venezuelana nos fóruns internacionais e relembrou o reconhecimento do opositor Edmundo González Urrutia como presidente eleito do país.

Bastidores do Tocantins

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