Vestígios do antigo povoado Canela são encontrados no fundo do Lago de Palmas
Mergulhador e pescador esportivo registra casa, piscinas, retroescavadeira e outras estruturas submersas que ajudam a preservar a memória de Palmas antes da formação do lago
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Estruturas do antigo povoado Canela, localizado na região que hoje está coberta pelas águas do Lago de Palmas, foram encontradas e registradas durante mergulhos realizados pelo pescador esportivo Luiz Carlos Marques de Queiroz. Entre os achados estão uma casa, piscinas, uma retroescavadeira e outras estruturas que permanecem preservadas no fundo do lago e atualmente servem de abrigo para peixes.
Os registros remontam ao período anterior ao enchimento do reservatório, ocorrido entre 2001 e 2002, e ajudam a revelar parte da história de uma região que foi modificada pela formação do lago. As imagens e vídeos dos achados vêm sendo compartilhados por Luiz Carlos na internet.
Tenente-coronel da Polícia Militar, Luiz Carlos realiza o mapeamento do lago como parte de sua atividade ligada à pesca esportiva. Durante as varreduras, utiliza equipamentos para identificar objetos e estruturas no fundo da água. Quando encontra algo que chama a atenção, registra a localização e realiza o mergulho para identificar e documentar o que foi encontrado.
A casa do antigo povoado Canela foi um dos registros mais recentes, realizado em junho de 2026. Segundo Luiz Carlos, o objetivo também é contribuir para que moradores e visitantes conheçam um pouco mais da história de Palmas e das áreas que existiam antes da formação do lago.
“Eu acabo encontrando essas estruturas e, quando encontro, salvo a localização. Eu mergulhei para fazer essas imagens e contar um pouco da história do lago. Porque muitas pessoas que vieram para Palmas chegaram depois que o lago já foi enchido”, relata.
As buscas são realizadas em profundidades de até nove metros. Dependendo do local e do que é identificado pelos equipamentos, Luiz Carlos utiliza uma câmera para registrar as estruturas ou realiza o mergulho pessoalmente.
“Dependendo da profundidade, desço a câmera ou eu mesmo mergulho para verificar o que é. Às vezes eu prefiro ir lá para conhecer, até porque é legal fazer o mergulho. Fazendo varreduras, a gente acaba encontrando resquícios da antiga Vila Canela, de fazendas”, explica.
Entre os registros está também um micro-ônibus submerso. Diferentemente das estruturas deixadas na região antes da formação do lago, o veículo foi colocado propositalmente no fundo do reservatório pelo Corpo de Bombeiros, com a finalidade de servir aos treinamentos de mergulhadores.
Os achados transformam o fundo do Lago de Palmas em uma espécie de arquivo submerso, preservando estruturas que ajudam a contar a história da antiga Vila Canela, de propriedades rurais e de outros espaços que existiam antes da formação do reservatório.



