Plantão Policial

Influenciadora digital é condenada por divulgar jogos ilegais e lavar dinheiro em Palmas

Investigação da Polícia Civil do Tocantins resulta em caso pioneiro, com movimentação superior a R$ 10 milhões em seis meses

Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins 

Uma influenciadora digital, identificada pelas iniciais D.F., foi condenada pelos crimes de promoção de jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro, em Palmas. A decisão judicial, proferida no dia 18 de março de 2026 pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Capital, teve como base investigações conduzidas pela Polícia Civil do Tocantins (PCTO) e marca o primeiro caso do tipo apurado pela instituição.

A ação penal teve origem em inquérito instaurado pela 2ª Delegacia de Repressão às Infrações de Menor Potencial Ofensivo e posteriormente concluído pela 3ª Delegacia de Polícia de Palmas. As apurações apontaram que, entre setembro de 2023 e março de 2024, a influenciadora utilizava seus perfis em redes sociais para divulgar plataformas de exploração de jogos de azar sem autorização legal para funcionamento no Brasil.

De acordo com a sentença, ficou comprovado que as plataformas promovidas não possuíam autorização do Ministério da Fazenda, requisito obrigatório para esse tipo de atividade, sendo, portanto, consideradas ilegais à época dos fatos.

Além da promoção irregular, a investigação identificou a prática de lavagem de dinheiro. Foram mapeadas 258 operações financeiras destinadas a ocultar e dissimular a origem dos valores obtidos, totalizando R$ 10.428.694,00 movimentados em aproximadamente seis meses — quantia incompatível com a renda mensal declarada pela investigada, de R$ 9.301,00.

Entre os mecanismos utilizados estavam o fracionamento de valores (técnica conhecida como “smurfing”), aquisição de bens de luxo, uso de pessoas jurídicas para ocultação patrimonial e compra de imóveis com valores declarados abaixo do efetivamente pago. Relatórios de inteligência financeira reforçaram os indícios de incompatibilidade entre renda e movimentação, evidenciando possível ocultação de patrimônio ilícito.

A partir deste caso, a Polícia Civil do Tocantins intensificou o combate a crimes semelhantes, deflagrando novas operações no Estado. Entre elas, destaca-se a Operação Fraus, em Araguaína, voltada ao enfrentamento da divulgação de plataformas ilegais de apostas e à lavagem de dinheiro. Outro inquérito com características semelhantes também foi instaurado em Porto Nacional.

Pena e medidas
A condenação fixou pena de cinco anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa e indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão.

A Justiça também determinou o perdimento de bens, direitos e valores relacionados à prática criminosa, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite do proveito obtido com o crime. A condenada poderá recorrer em liberdade.

Impacto social
Na decisão, o magistrado destacou o impacto social negativo da divulgação de jogos de azar ilegais, especialmente nas redes sociais, ressaltando que a prática pode estimular o vício e causar prejuízos financeiros a um número indeterminado de pessoas.

 

Bastidores do Tocantins

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