Do brinquedo à competição: estilingue vira esporte e movimenta campeonatos no Tocantins
Conhecido por diferentes nomes no Brasil, o estilingue ganha nova leitura no estado ao se transformar em modalidade esportiva que valoriza cultura, memória afetiva e preservação ambiental
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Badoque, baladeira, atiradeira ou estilingue. O objeto é o mesmo, mas os nomes variam conforme a região do Brasil, carregando história, cultura e identidade local. Tradicionalmente associado às brincadeiras de infância, o estilingue atravessou gerações e, no Tocantins, deixou de ser apenas um brinquedo para se consolidar como prática esportiva.
Feito, originalmente, de galhos de madeira em formato de “Y”, tiras de borracha e um pequeno pedaço de couro ou borracha para apoiar a pedra, o estilingue foi, durante décadas, uma das brincadeiras mais acessíveis às crianças do interior do país. Dependendo da região, também recebe nomes como atiradeira, bodoque ou funda — variações que refletem a diversidade cultural brasileira e os diferentes significados atribuídos a um mesmo objeto.
Sem depender de tecnologia ou alto custo, a brincadeira estimula a criatividade, a coordenação motora e a convivência em grupo. Atualmente, o estilingue também pode ser encontrado em versões industrializadas, com corpo de metal e outros materiais. No Tocantins, porém, a tradição se manteve viva e evoluiu para competições organizadas, que reúnem participantes de diferentes cidades e valorizam um costume presente na memória afetiva de muitas famílias.
No fim de janeiro, o loteamento Coqueirinho, na zona rural de Palmas, recebeu o 1º Campeonato de Baladeira. O evento já foi realizado outras duas vezes na capital e atraiu competidores de várias regiões do estado, somando cerca de 100 inscritos.
A iniciativa partiu dos amigos Evandro Abreu e Getúlio da Silva, conhecido como Jacaré, que decidiram resgatar de forma saudável a brincadeira que marcou a infância de ambos.
“A gente fez o campeonato do tiro esportivo justamente para não incentivar as pessoas a usarem o estilingue como arma de caça, para matar pássaros e pequenos animais. Então estamos utilizando essa modalidade esportiva para resgatar a brincadeira e preservar a natureza”, explica Evandro.
Como funciona a competição
Para pontuar no 1º Campeonato de Baladeira 2026, os competidores precisam acertar alvos posicionados a uma distância de dez metros. A munição utilizada é a bolinha de gude.
Cada participante recebe cinco bolinhas e tem cinco alvos à disposição. Quem derrubar mais avança para as próximas etapas. Os dois finalistas disputam uma premiação no valor de R$ 500.



