Representante do Tocantins no Miss Brasil Mundo 2026, indígena Karajá une beleza, propósito e identidade cultural
Tainá Marrirú Karajá, de 25 anos, é a primeira representante do povo Karajá no concurso nacional e leva ao palco a defesa dos direitos e da visibilidade indígena
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A representante do Tocantins no concurso Miss Brasil Mundo 2026 não leva ao palco apenas a beleza, mas também inteligência, trajetória acadêmica e a forte identidade cultural do povo Karajá, da Ilha do Bananal. Tainá Marrirú Karajá, de 25 anos, é formada em Educação Física, atuou como pesquisadora no Distrito Sanitário Especial Indígena Tocantins (DSEI/TO) e está inserida no universo dos concursos de beleza desde os 16 anos.
A 64ª edição do Miss Brasil Mundo será realizada no próximo sábado (31) e terá transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do Concurso Nacional de Beleza (CNB). Tainá entra para a história como a primeira representante do povo Karajá na competição.
Nascida e criada em São Paulo, Tainá carrega as raízes tocantinenses herdadas da mãe e decidiu retornar ao estado para atuar diretamente em prol da comunidade materna, na aldeia Santa Isabel, localizada na Ilha do Bananal. “Sempre soube que meu desenvolvimento seria em São Paulo, mas que eu retornaria ao Tocantins para contribuir com o meu povo. Foi exatamente isso que aconteceu”, afirmou. Após concluir a graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso, ela voltou ao estado para atuar como pesquisadora junto à comunidade indígena.
Com uma trajetória consolidada nos concursos de beleza, Tainá conquistou aos 16 anos o título de Miss Teen São Paulo e obteve destaque em etapas nacionais e internacionais, alcançando a 3ª colocação e o título de Princesa Teen Internacional. A ligação com esse universo também vem da família: sua mãe foi participante de concursos, o que fez com que a experiência surgisse de forma natural em sua vida.
Segundo Tainá, o Miss Brasil Mundo se diferencia de outros concursos por exigir um perfil específico das candidatas. “O Miss Brasil Mundo tem o slogan ‘beleza com propósito’. A miss precisa ter projetos sociais, voz ativa e defender as causas da população que representa”, explicou. Esse alinhamento foi decisivo para sua participação, já que atua há anos em defesa da visibilidade e dos direitos dos povos indígenas.
Inspirada pelo trabalho social desenvolvido pelo pai, Tainá criou o projeto Ahandú, voltado à promoção da saúde mental e física de crianças indígenas por meio da educação e da saúde. “Meus pais sempre me ensinaram a não enxergar o mundo apenas como ele é, mas como eu gostaria que ele fosse. Se algo me incomodava, eu precisava ser a diferença”, destacou.
A escolha para representar o Tocantins ocorreu por meio de seleção interna, já que não houve concurso estadual. De acordo com a candidata, o processo envolve avaliações criteriosas para garantir que a miss esteja preparada para representar o estado. “Por conta da minha carreira, consegui passar nas etapas e me tornar a Miss Tocantins Mundo”, explicou.
A preparação para o concurso envolve uma equipe multidisciplinar, com profissionais focados em comunicação, oratória, saúde mental e imagem. “O trabalho para subir ao palco vem de anos, mas o sentimento agora é de felicidade por estar cumprindo meu propósito de honrar minhas origens e mostrar que o povo indígena pode ocupar espaços de relevância. Nunca houve, na franquia do Miss Brasil Mundo, uma Miss Brasil indígena”, afirmou.
Para o futuro, Tainá projeta a possibilidade de representar o país na etapa internacional, o Miss World. “Ainda não há data definida, mas o CNB oferece oportunidades não apenas para a vencedora, como também para outras candidatas representarem o Brasil em concursos internacionais”, concluiu.




