Sepot e Ministério das Mulheres promovem seminário inédito na Ilha do Bananal para fortalecer proteção às mulheres indígenas
Ação intersetorial reunirá Governo do Tocantins, forças de segurança, sistema de Justiça e comunidades tradicionais para discutir medidas emergenciais de proteção.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
A Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins (Sepot) deu um passo decisivo na articulação por políticas voltadas às mulheres indígenas. Nesta terça-feira, 2, em Brasília, a secretária Narúbia Silva Werreria reuniu-se com a ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, para tratar da criação de estratégias de enfrentamento à violência e ampliar a rede de proteção a indígenas, quilombolas e povos tradicionais.
Narúbia apresentou um panorama preocupante da realidade vivida por mulheres da Ilha do Bananal, incluindo casos de violência doméstica e sexual e a falta de atendimento psicossocial especializado. A gestora informou que já foi encaminhada à Casa Civil a proposta de criação, via decreto, da Rede de Segurança e Proteção à Mulher Indígena, além da elaboração do Protocolo de Atendimento Indígena e da Patrulha Rural Maria da Pena Indígena — iniciativas conduzidas pela Sepot em parceria com o Conselho de Segurança Pública.

A ministra anunciou que, em janeiro, será realizado um grande seminário na Ilha do Bananal reunindo Governo do Tocantins, Forças de Segurança, órgãos do Sistema de Justiça e organizações da sociedade civil, com foco em medidas emergenciais de proteção e segurança das mulheres indígenas.

“Esse encontro será o ponto de partida para levantarmos um diagnóstico e começarmos a estruturar ações concretas em defesa das nossas mulheres. A parceria com o Ministério das Mulheres vai permitir que o Tocantins desenvolva um projeto-piloto pioneiro no país”, afirmou Narúbia.

Márcia Helena Carvalho Lopes destacou que a situação vivida no Tocantins se repete em outras regiões do Brasil e reforçou que o governo federal está atento à gravidade do tema. “Não podemos normalizar a violência contra mulheres indígenas. Vamos mobilizar ministérios, o sistema de Justiça e o governo estadual para construir respostas rápidas e eficazes. Esse é um compromisso defendido pelo presidente Lula”, declarou.

Emocionada, Narúbia afirmou que a iniciativa representa um marco para o estado. “As mulheres indígenas clamam por socorro. Ver essa sensibilidade da ministra e o compromisso do governador Laurez Moreira nos dá esperança. Violência não é cultura. É hora de agir.”
Também participaram da reunião a secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves; a secretária-executiva da Sepot, Solange Aparecida do Nascimento; a diretora de Proteção de Direitos do Ministério, Terlúcia Maria da Silva; e a chefe de gabinete da ministra, Carolina Machado Rocha Busch Pereira.



