SES-TO reforçou, no Dia Mundial de Cuidados Paliativos, a importância do acolhimento e da qualidade de vida para pacientes com doenças graves
A data, lembrada em 11 de outubro, destacou o papel essencial do cuidado humanizado que oferece conforto e dignidade a pacientes e familiares.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
No último dia 11 de outubro, data em que é celebrado o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) reforçou a importância dessa prática na rede pública de saúde, destacando o papel do acolhimento, da empatia e da atenção integral para pacientes com doenças graves ou terminais.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que busca aliviar o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, oferecendo qualidade de vida e conforto a pacientes e familiares, desde o diagnóstico até as fases mais avançadas da doença.
Derivado do termo latino pallium — que significa “proteger” — o conceito simboliza um cuidado que vai além do tratamento clínico, valorizando a dignidade humana e o direito de viver com bem-estar, mesmo diante de doenças que ameaçam a vida.
“Os cuidados paliativos visam, através de um cuidado individualizado e multidimensional, aliviar o sofrimento e priorizar a qualidade de vida. Com isso, conseguimos tratar sintomas desagradáveis, valorizar a autonomia do paciente e apoiar a família, favorecendo decisões mais conscientes de acordo com cada fase da vida”, explicou a médica paliativista e coordenadora da equipe do Hospital Geral de Palmas (HGP), Jéssica de Freitas Orsolin Borges.
Acolhimento e cuidado no Hospital Geral de Palmas
Referência no Tocantins, o Serviço de Cuidados Paliativos do HGP atende pacientes de todas as regiões do Estado, com uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e fonoaudiólogos, que trabalham de forma integrada para garantir um atendimento humanizado e contínuo.
O serviço oferece interconsultas hospitalares, atendimento ambulatorial e internações especializadas voltadas a pacientes oncológicos e com doenças crônicas graves.
O idoso Oswaldo Francisco, de 65 anos, é um dos pacientes acolhidos pelo programa. Sua esposa, Irace Gomes da Silva Souza, relatou a importância do acompanhamento.
“Infelizmente descobrimos o câncer tarde demais. Ele não chegou a fazer quimioterapia, mas com a ajuda da equipe de cuidados paliativos, agora ele sente menos dor e está sendo tratado com dignidade. Fomos acolhidos como família, e isso faz toda a diferença nesse momento tão difícil”, contou emocionada.
Um direito humano e um desafio para os sistemas de saúde
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os cuidados paliativos como um direito humano básico, por garantirem o alívio do sofrimento e a preservação da dignidade de pacientes com doenças graves. Ainda assim, a médica Jéssica Orsolin ressalta que o tema enfrenta desafios de compreensão e acesso:
“A desinformação ainda é um grande obstáculo. Os cuidados paliativos não significam desistir do tratamento, mas sim oferecer suporte integral desde o diagnóstico. É preciso ampliar o entendimento sobre essa prática e garantir sua valorização nos sistemas de saúde”, afirmou.
A OMS reforçou que o foco mundial para 2025 será a universalização do acesso aos cuidados paliativos, tema já evidenciado na campanha de 2024 como um dos pilares da saúde global.
Cuidado que acolhe, conforta e humaniza
Voltados para pacientes com câncer, insuficiência renal, demências e outras doenças crônicas, os cuidados paliativos representam um modelo de atenção que une ciência, compaixão e humanidade, promovendo dignidade, autonomia e serenidade em todas as fases do tratamento.



