Progressistas e União Brasil punem ministros do Esporte e Turismo por descumprirem orientação partidária
Fora da base do governo, partidos afastaram André Fufuca e Celso Sabino de funções internas por se recusarem a entregar cargos ao Planalto.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Os partidos Progressistas (PP) e União Brasil (UB) anunciaram nesta quarta-feira, 8, punições aos ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), por descumprirem a orientação partidária que determinava a entrega dos cargos ao governo federal. As duas siglas, que formam a Federação União Progressista, oficializaram em setembro a saída da base do governo Lula e exigiram que todos os filiados com funções na administração federal deixassem os postos.
Decisão do Progressistas
Em nota assinada pelo presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, o Progressistas informou que o ministro André Fufuca foi afastado de todas as decisões internas da legenda e removido da vice-presidência nacional. O diretório estadual do Maranhão, comandado por Fufuca, também será alvo de intervenção.
“A Direção Nacional realizará, ainda, intervenção no diretório do Maranhão, retirando o ministro do comando da legenda no estado. O Progressistas não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”, afirma o comunicado.
Durante cerimônia do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Imperatriz (MA), na última segunda-feira (6), Fufuca sinalizou que pretende continuar no cargo e reforçou seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em suas redes sociais, o ministro afirmou que sua “fidelidade é, primeiramente, ao povo que confiou o voto”, e destacou que seguirá “lado a lado com o presidente Lula”.
“A pauta do desenvolvimento social e econômico do Maranhão e do Brasil está acima de quaisquer divergências. Meu posicionamento continuará firme, mantendo a palavra e a postura de quem trabalha pelo bem comum. O trabalho não para”, escreveu Fufuca.
Afastamento no União Brasil
O União Brasil também divulgou nota nesta quarta (8) anunciando o afastamento de Celso Sabino das atividades partidárias por 60 dias. O ministro, que comanda a pasta do Turismo, ocupa cargos na executiva nacional e preside o diretório estadual do Pará.
Segundo o comunicado, o diretório do Pará será conduzido por uma comissão provisória interventiva, e o caso foi encaminhado ao Conselho de Ética, que terá 60 dias para se manifestar sobre o mérito das representações.
“A Executiva decidiu pela suspensão cautelar do ministro Celso Sabino de suas atividades partidárias. O União Brasil reafirma o compromisso com a transparência e o respeito à vontade dos seus filiados, atuando com responsabilidade para preservar a coerência com seus princípios e valores”, diz a nota.
A Agência Brasil tentou contato com o ministro, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Federação fora da base governista
As punições aplicadas pelos dois partidos são consequência da decisão da Federação União Progressista — formada por Progressistas e União Brasil —, que no início de setembro anunciou a ruptura com o governo federal no Congresso Nacional.
Na ocasião, as legendas determinaram que todos os parlamentares e membros filiados com cargos na administração pública deveriam renunciar às funções, incluindo ministros de Estado. Fufuca e Sabino, no entanto, optaram por permanecer nos cargos, contrariando a orientação da federação.



