Lula denuncia sanções dos EUA e diz que Brasil resiste em defesa da democracia
Presidente critica autoritarismo e intervenção estrangeira durante discurso na Assembleia-Geral da ONU.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o palco da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta segunda-feira (22), para fazer duras críticas às sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e para defender a soberania dos países diante do avanço do autoritarismo global.
“Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por concessões à política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias. Intervenções unilaterais estão se tornando regra”, afirmou Lula.
Segundo ele, o multilateralismo está em xeque, e há um “evidente paralelo entre a crise do sistema internacional e o enfraquecimento da democracia”.
Defesa da democracia brasileira
Lula destacou que, mesmo sob ataques, o Brasil optou por resistir e manter viva a sua democracia. “Forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Mesmo assim, reconquistamos a democracia há 40 anos e seguimos na sua defesa”, pontuou o presidente, em clara referência aos episódios de tentativa de golpe de Estado e aos recentes embates institucionais.
O presidente também repudiou a atuação de milícias digitais, o cerceamento da imprensa e a propagação de discursos de ódio que ameaçam regimes democráticos em várias partes do mundo.
Críticas a sanções contra o Brasil
Sem citar diretamente nomes, Lula atacou as recentes sanções econômicas e diplomáticas dos EUA contra autoridades brasileiras, afirmando que o país não aceitará interferências externas. Ele se referia à imposição da Lei Magnitsky por parte do governo norte-americano ao ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, Lula mencionou a tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump e os cancelamentos de vistos de ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Barroso e Fachin. Na mais recente medida, o governo norte-americano sancionou inclusive a esposa do ministro Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.
“O Brasil não se curvará a mais essa agressão”, disse Lula, segundo nota divulgada pelo Itamaraty após o anúncio das sanções.



