Jovem denuncia agressão de segurança durante show em Palmas e fala em racismo
Jean Costa Melo afirma ter sido imobilizado com mata-leão e agredido; empresa responsável pelo evento nega racismo na abordagem.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
Um jovem de 25 anos, identificado como Jean Costa Melo, denunciou à Polícia Civil ter sido agredido por seguranças durante um show privado realizado no estacionamento do Shopping Capim Dourado, em Palmas, no último dia 6 de setembro. Ele afirma que a abordagem foi motivada por racismo.
Jean relatou que estava no local prestando serviços como vendedor quando foi surpreendido por um dos seguranças, que o imobilizou com um golpe de mata-leão. Em seguida, segundo ele, outros seguranças teriam desferido socos e chutes. Nas imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver o jovem sendo agarrado e arrastado para fora do evento.
“É algo que eu não esperava que fosse acontecer na minha vida. A gente acha que não acontece com a gente, mas aconteceu. Da forma que eles quiseram nos colocar na história, mostra que foi uma atitude racista”, declarou Jean em entrevista.
Repercussão e posicionamentos
A presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-TO, Geany Dantas, criticou a ação e afirmou que houve motivação racial. “O Jean não estava demonstrando resistência, estava de mãos para o alto. Não havia justificativa para ser conduzido de forma tão agressiva. Ele estava trabalhando, não cometendo nenhum crime. A violência sofrida revela uma abordagem racista”, disse.
O caso foi registrado nesta sexta-feira (12) na Polícia Civil de Palmas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a última atualização.
Notas de esclarecimento
Em nota, a administração do Shopping Capim Dourado informou que acompanha o caso e ressaltou que a primeira intervenção foi realizada pela equipe de segurança da produção do evento, sendo o time de segurança do shopping acionado posteriormente.
Já a empresa Diversão e Entretenimento, responsável pela organização do show, negou racismo e declarou que o jovem não fazia parte da equipe contratada, afirmando que ele não tinha autorização para trabalhar no local.
Até o momento, os nomes dos seguranças envolvidos não foram divulgados, e a defesa deles não foi localizada pela reportagem.



