Suspeito de feminicídio disse em primeiro depoimento que tentou “acalmar” namorada durante briga
Delvânia Campelo ficou mais de 20 dias internada após agressões e morreu na sexta-feira (11); indiciado está preso preventivamente.
Yasmim Rodrigues/Bastidores do Tocantins
No primeiro depoimento prestado à Polícia Civil, Gilman Rodrigues da Silva, de 47 anos, afirmou que a namorada Delvânia Campelo da Silva, de 50 anos, teria iniciado as agressões no dia do crime e disse que tentou “acalmar” a vítima com um cabo de vassoura. O vídeo do depoimento, obtido pelo Bastidores do Tocantins, mostra o momento em que Gilman relata a versão dos fatos à polícia. Ele foi indiciado por feminicídio após a morte de Delvânia, na última sexta-feira (11), no Hospital Geral de Palmas (HGP).
O crime aconteceu no dia 22 de março, e Delvânia ficou mais de 20 dias internada em estado grave até não resistir aos ferimentos. Segundo a investigação, ela foi brutalmente agredida, principalmente com golpes na cabeça. A Polícia Civil apura que a vítima chegou a pedir socorro em um grupo de mensagens, mas os áudios foram apagados pelo próprio investigado.
Durante o depoimento, Gilman afirmou que a briga começou após uma discussão, que ele teria tentado sair da casa, mas não encontrou a chave do carro. “Ela disse que tinha escondido e que eu não sairia. Quando peguei o cabo do vassourão, foi para acalmar ela”, declarou o suspeito, afirmando ainda que acreditava que a vítima havia consumido bebida alcoólica.
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Versão desmentida por provas e testemunhas
De acordo com a Polícia Civil, Gilman é suspeito de desferir diversos golpes na cabeça de Delvânia, que desmaiou e ficou desacordada na casa onde moravam, em Caseara. O suspeito deixou o local sem prestar socorro. A vítima foi encontrada pelo caseiro e levada ao hospital.
O delegado José Lucas Melo, responsável pela investigação, afirmou que a versão apresentada pelo indiciado tem contradições. “Se ele afirma que foi agredido, por que apagou o pedido de socorro da vítima e tentou tranquilizar os contatos dela dizendo que estava tudo bem?”, questionou. Para o delegado, Gilman tentou desqualificar a vítima e justificar a agressão como legítima defesa, versão descartada diante da gravidade e intensidade da violência registrada no laudo.
Inicialmente, Gilman se apresentou à Delegacia de Paraíso do Tocantins no dia 25 de março, três dias após o crime. Como não havia mandado de prisão nem flagrante, ele foi ouvido e liberado. No entanto, após aprofundamento das investigações e piora do quadro clínico da vítima, a prisão preventiva foi decretada e cumprida quando ele retornou à delegacia no dia 3 de abril.
Doação de órgãos e despedida
Neste sábado (12), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que a família de Delvânia autorizou a doação dos seus órgãos. A Central Estadual de Transplantes iniciou os exames necessários para a captação, com apoio das equipes do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A data e o local do velório ainda não foram informados pela família.
Relacionamento marcado por ciúmes e violência
Segundo relatos de pessoas próximas ao casal, o relacionamento, iniciado no segundo semestre de 2024, era marcado por conflitos frequentes, ciúmes e episódios de violência. Após o crime, Gilman teria fugido para a casa de parentes em Palmas, onde permaneceu até a primeira apresentação à polícia.
Com a morte da vítima, o inquérito que investigava tentativa de feminicídio foi convertido em feminicídio consumado.
Íntegra da nota da defesa de Gilman
“A família e a defesa técnica de Gilman Rodrigues da Silva manifestam profundo pesar pelo falecimento da sra. Delvânia Campelo da Silva.
A defesa aguardará a conclusão das investigações policiais, onde espera que todos os fatos relacionados, inclusive de dias anteriores ao dia 22 de março e detalhadamente a sequência de eventos daquela data, sejam colacionados ao inquérito.
A defesa afirma ainda que todos, independentemente da acusação, têm direito de defesa e que essa garantia deve ser preservada.”



